Espécie em extinção
A falta de confiança entre as pessoas tem provocado mudanças no mercado de aluguéis imobiliários. Diante da dificuldade de encontrar pessoas dispostas a assumirem a responsabilidade de serem fiadoras dos contratos, muitas imobiliárias estão buscando alternativas para fecharem negócio sem a necessidade de alguém para afiançar o aluguel. Marco Antônio Bacarin, presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis de Londrina e Região (Sincil), explica que com as mudanças na Lei do Inquilinato, pode até ser mais vantajoso dispensar a necessidade do fiador. "O contrato fica sem garantias, o que traz possibilidade de despejo sumário do inquilino que não honra o pagamento", diz.
Quando o negócio é afiançado, o processo é bem mais lento, visto que o inquilino é inicialmente executado e, quando não paga a dívida, executa-se o fiador. "Isso leva pelo menos dois anos e, neste período, o imóvel permanece ocupado. Sem fiador, é possível despejar rapidamente por falta de garantia", explica. Outra possibilidade, segundo ele, é o seguro-fiança, que pode ser contratado diretamente dos bancos para garantir o recebimento dos valores em caso de não pagamento por parte do inquilino. "Mas não é muito utilizado porque gera um custo", diz.
Diante da experiência no ramo imobiliário, ele afirma que os fiadores que mais "levam prejuízos" normalmente são pessoas muito próximas do inquilino, o que inclui parentes. "Na maioria dos casos, os inquilinos não pagam o aluguel por alguma adversidade, mas, mesmo assim, é sempre o fiador que paga a conta", acrescenta.
Por outro lado, o mercado convive também com fiadores que agem de má-fé, como os "profissionais" que têm apenas um imóvel mas afiançam contratos de diversas pessoas, cobrando por isso. Outra prática é a do fiador falso, que já teve imóvel no próprio nome, vendeu, mas continua apresentando a escritura para afiançar contratos. "Por isso é importante tirar a certidão negativa", orienta. (C.A.)





