Depois de assumir no ano passado a direção da Escola Municipal Carlos Zewe Coimbra, localizada no Jardim Marabá (Zona Leste de Londrina), a diretora Adriana Fátima Gonçalves Machado tomou uma decisão drástica: ao perceber que boa parte das crianças chegava à terceira e quarta séries sem saber ler e escrever, ela decidiu reprovar, ao final do ano, 59 estudantes.
O número representa 21% dos alunos das séries finais do primeiro ciclo do ensino fundamental. ''Se são aprovados e não conseguem acompanhar, acabam abandonando a escola'', justifica. Entre as causas do problema, a diretora destaca a situação social de risco em que vive parte dos alunos.
No ano passado a professora associada da UEL, Magda Solange Vanzo Pestun, desenvolveu um projeto piloto de uso do método multissensorial de alfabetização. Antes, as professoras passaram por um curso de capacitação. ''O relato das educadoras é que as crianças se interessaram pelo método das 'boquinhas' e ficaram altamente motivadas'', afirma.
A diretora confirma o avanço. ''Os melhores resultados foram observados com as crianças menores, de primeiro e segundo anos'', relata. Em função da alta rotatividade dos professores, entretanto, o projeto foi descontinuado. ''Para manter o trabalho, teríamos que fazer nova capacitação. O ideal seria implementar em toda a rede'', diz Magda.
Gabriel Aldenir, 10, está no quarto ano e só aprendeu a ler no ano passado. ''Entendi como juntar as sílabas e comecei a ler. Depois disso, as aulas ficaram bem mais legais'', conta. Isabela de Souza, 9, também se alfabetizou no ano passado. ''Antes era muito chato, porque todo mundo sabia escrever, menos eu'', conta a garota, que apesar das dificuldades fazia questão de emprestar os gibis da Turma da Mônica na biblioteca. ''Eu levava para casa, mas não entendia nada. Agoro leio e consigo entender.'' (C.A)

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