ESCÂNDALO AMA/COMURB - O caixa paralelo dos desvios
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de junho de 2015
Loriane Comeli<br>Reportagem Local 
Além dos depoimentos de dezenas de "réus colaboradores", o Ministério Público de Londrina obteve, por meio de busca e apreensão realizada em abril de 2000, vasta documentação que demonstrou para onde iam os recursos desviados da prefeitura. O principal e mais famoso documento do escândalo é a "Lista de Zavierucha", planilha detalhada feita pelo próprio Cassimiro Zavierucha, o Carlos Júnior, do que entrava de dinheiro público ilícito em sua contabilidade paralela e para quem tais valores eram destinados.
O empresário era o caixa 2 da administração de Belinati. Era ele quem "administrativa" o dinheiro, pagando despesas do próprio prefeito, de pessoas ligadas a ele, como a então vice-governadora Emília Salles Belinati, e gastos de campanha do filho, Antonio Carlos Belinati, e de outros políticos aliados do então prefeito.
Em 12 páginas de formulários chamados de "movimento do caixa", o tesoureiro registrou os nomes algumas vezes, apenas com as iniciais de quem recebeu dinheiro proveniente das licitações fraudulentas. Há políticos, empresários, servidores, assessores, jornalistas e cabos eleitorais. Os promotores cruzaram os nomes ou iniciais da lista com outros documentos apreendidos com Zavierucha, como depósitos bancários. Tudo se encaixou perfeitamente.
As iniciais de Emília ESB apareciam quatro vezes na lista. Em apenas uma das ocasiões teria recebido R$ 11 mil. Comprovantes originais demonstram que Zavierucha depositou, em três diferentes ocasiões, valores que somavam R$ 11,9 mil. O que a então vice-governadora teria feito com tais recursos nunca foi demonstrado.
Zavierucha, que era amigo pessoal de Belinati desde o início da década de 1960, no terceiro mandato também usou suas empresas no esquema de desvio de dinheiro público. Eminência parda no governo do tri-prefeito, Zavierucha é descrito pelo MP como um assessor direto, "fazendo muitas vezes o papel de 'elo' entre o então prefeito e seus assessores, repassando ordens para que os crimes contra o erário fossem cometidos, e também fazendo o papel de 'caixa', ou seja, administrando os valores subtraídos" dos cofres públicos.
Em fevereiro de 2002, ao ser interrogado em juízo sobre a lista, o tesoureiro admitiu tê-la escrito, mas alegou que os dados foram repassados por Eduardo Alonso de Oliveira, então diretor administrativo-financeiro da Comurb, versão refutada por Alonso e que, obviamente, não é a que sustenta o MP. Zavierucha ainda mora em Londrina, mas a reportagem não conseguiu localizá-lo. Sempre foi representado nos processos pelo advogado Mauro Viotto, que faleceu recentemente, e ainda não constituiu novo defensor.


