Além dos depoimentos de dezenas de "réus colaboradores", o Ministério Público de Londrina obteve, por meio de busca e apreensão realizada em abril de 2000, vasta documentação que demonstrou para onde iam os recursos desviados da prefeitura. O principal e mais famoso documento do escândalo é a "Lista de Zavierucha", planilha detalhada feita pelo próprio Cassimiro Zavierucha, o Carlos Júnior, do que entrava de dinheiro público ilícito em sua contabilidade paralela e para quem tais valores eram destinados.

O empresário era o caixa 2 da administração de Belinati. Era ele quem "administrativa" o dinheiro, pagando despesas do próprio prefeito, de pessoas ligadas a ele, como a então vice-governadora Emília Salles Belinati, e gastos de campanha do filho, Antonio Carlos Belinati, e de outros políticos aliados do então prefeito.

Em 12 páginas de formulários chamados de "movimento do caixa", o tesoureiro registrou os nomes – algumas vezes, apenas com as iniciais – de quem recebeu dinheiro proveniente das licitações fraudulentas. Há políticos, empresários, servidores, assessores, jornalistas e cabos eleitorais. Os promotores cruzaram os nomes ou iniciais da lista com outros documentos apreendidos com Zavierucha, como depósitos bancários. Tudo se encaixou perfeitamente.

As iniciais de Emília – ESB – apareciam quatro vezes na lista. Em apenas uma das ocasiões teria recebido R$ 11 mil. Comprovantes originais demonstram que Zavierucha depositou, em três diferentes ocasiões, valores que somavam R$ 11,9 mil. O que a então vice-governadora teria feito com tais recursos nunca foi demonstrado.

Zavierucha, que era amigo pessoal de Belinati desde o início da década de 1960, no terceiro mandato também usou suas empresas no esquema de desvio de dinheiro público. Eminência parda no governo do tri-prefeito, Zavierucha é descrito pelo MP como um assessor direto, "fazendo muitas vezes o papel de 'elo' entre o então prefeito e seus assessores, repassando ordens para que os crimes contra o erário fossem cometidos, e também fazendo o papel de 'caixa', ou seja, administrando os valores subtraídos" dos cofres públicos.

Em fevereiro de 2002, ao ser interrogado em juízo sobre a lista, o tesoureiro admitiu tê-la escrito, mas alegou que os dados foram repassados por Eduardo Alonso de Oliveira, então diretor administrativo-financeiro da Comurb, versão refutada por Alonso e que, obviamente, não é a que sustenta o MP. Zavierucha ainda mora em Londrina, mas a reportagem não conseguiu localizá-lo. Sempre foi representado nos processos pelo advogado Mauro Viotto, que faleceu recentemente, e ainda não constituiu novo defensor.

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