Parte do dinheiro desviado da Prefeitura de Londrina foi diretamente usado em benefício da família de Antonio Belinati. As investigações revelaram que a reforma do apartamento onde residiam Emília Belinati e os filhos do casal – Antonio Carlos, Cíntya e Simone -, em um edifício no centro de Londrina, foi paga por Cassimiro Zavierucha, o responsável pelo caixa 2 do ex-prefeito, movimentado exclusivamente com dinheiro que provinha das licitações fraudadas. A reforma foi feita em 1999 e custou quase R$ 50 mil.

Em depoimento ao Ministério Público, o arquiteto responsável pela reforma afirmou que o serviço consistia em "lustração do piso na área social, espelhação no banheiro do casal e na circulação, restauração da parte elétrica e reformas de sofás". Pelo trabalho, o profissional recebeu R$ 16 mil. Parte dos materiais usados para a reforma do apartamento – pelo menos R$ 20 mil – também foi custeada com dinheiro da prefeitura.

Os promotores conseguiram rastrear a origem do dinheiro por meio da famosa lista de Zavierucha (leia nesta página) e de recebidos emitidos pelo arquiteto e pela empresa contratados pela família Belinati. O arquiteto chegou a declarar que recebeu seu pagamento diretamente na casa de Zavierucha, por indicação de Cíntya Belinati.

Na ação por improbidade administrativa que trata do caso, os promotores escreveram que a família "locupletou-se injusta e dolosamente do dinheiro público auferindo os benefícios proporcionados pela reforma patrocinada pela AMA e pela Comurb. Nada mais ilegal!". Sobre Emília, sustentam que "é impossível a ré Emília negar conhecimento a respeito da injeção de recurso extraordinário (…) até porque as despesas de todos eram muito superiores ao que ganhavam".

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