A gravidez planejada, cercada de todos os cuidados previstos no acompanhamento pré-natal, não poupou a enfermeira obstétrica Karine Souza Montini de ser acometida pela Síndorme Helpp, que causa elevação da pressão e traz grandes riscos para a mãe e o bebê. O acompanhamento por profissionais de saúde capacitados foi decisivo, entretanto, para salvar a vida de Karine e da filha Helena, que nasceu com menos de 32 semanas de gestação e antes mesmo de atingir um quilo.
A mãe conta que o risco de parto prematuro foi detectado durante um ultrassom morfológico que faz parte do protocolo de exames previstos no pré-natal. Três semanas depois, outro exame detectou o risco para pré-eclâmpsia, o que deixou a então gestante em alerta. "Comecei a usar um medicamento, mas minha pressão chegou a 23 por 13 e passei a sentir dor no fígado. Foi necessário fazer a cesárea", recorda ela, que teve as funções hepática, pulmonar e renal afetadas e saiu da sala de parto para a UTI, onde permaneceu por sete dias e teve que ser submetida a uma cirurgia.
Karine, que pesava 55 quilos, chegou rapidamente aos cem quilos por causa do inchaço. "Foram 32 dias no hospital", relata ela, que mesmo passando por tantas dificuldades se preocupava muito mais com a filha, que também enfrentava dias difíceis. "Trabalho na área de obstetrícia e sabia tudo que podia acontecer. Era uma angústia muito grande", revela.
Helena, que nasceu tendo que lutar pela vida, passou 49 dias no hospital para ganhar peso. Uma das maiores conquistas da mãe é conseguir amamentá-la apesar do começo difícil. Aos 8 meses, a menina continua se alimentando do leite da mãe, o que, segundo Karine, é um importante fator de proteção para os bebês prematuros.
Ao fim da licença-maternidade, ela até cogitou parar de trabalhar para dedicar-se apenas aos cuidados com a filha. A experiência vivida, entretanto, incentivou a enfermeira a retornar às atividades profissionais para compartilhar tudo que passou com outras mães na mesma situação. "Acho que é uma missão", diz ela, que sempre divide sua história com outras famílias para incentivá-las a acreditar em um final feliz.
"Me transformei em uma nova profissional, porque agora sei realmente o que as mães estão passando", diz ela, que incentiva o estabelecimento de vínculos afetivos com os bebês desde que ainda estejam muito pequenos na incubadora. "Pegar no colo, conversar e dar carinho são atitudes muito importantes para incentivar o bebê a continuar lutando pela vida."
Junto com outras mães de prematuros, ela participa do grupo Colo para a Mamãe, uma iniciativa do Hospital Evangélico para apoiar as famílias que vivem a angústia da prematuridade. "O objetivo maior é compartilhar experiências e passar esperança", revela, lembrando que o grupo é aberto tanto para mães cujos filhos estão no hospital como para aquelas cujos bebês infelizmente não sobreviveram. "Queremos passar também uma mensagem de que a vida continua", complementa. (C.A.)

Serviço:
O grupo Colo para a Mamãe se reúne uma vez por mês, sempre aos sábados, no Hospital Evangélico, e é aberto a todas as interessadas, independentemente de serem pacientes da instituição. Informações: (43) 3378-1694.

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