'Era sangue no olho'
Para o então deputado estadual pelo PMDB, Márcio Almeida, o comício das Diretas serviu para dar novo fôlego a todos aqueles que faziam coro ao movimento democrático. "O prefeito da época, em Londrina, era Wilson Moreira, de posição conservadora, mas que se empenhou para a realização do evento. Muitos não acreditavam que seria possível realizá-lo", diz Almeida, que hoje trabalha no gerenciamento dos contratos de gestão da Casa Civil do Paraná.
Para o ex-deputado, os comícios deram uma "chacoalhada" na população e a animaram a continuar a "comer pelas beiradas rumos à democracia". "Até bem pouco tempo atrás estávamos sujeitos aos fluxos e refluxos impostos pela ditadura. As prisões e repressões eram muito recentes. O movimento das Diretas teve um efeito libertador", opina Almeida.
Entre os jornalistas que cobriram o comício em Londrina, um, em especial, não escondia a emoção pelo momento vivido no País. Nilson Monteiro, na época editor de primeira página e colunista do Caderno 2 da Folha de Londrina, viveu intensamente aqueles dias. "Foi um marco. Talvez pela primeira vez houve um envolvimento tão grande de toda a sociedade, de forma tão ampla. Era uma vontade de mudança no País, expressa por aquele movimento", relembra o jornalista, hoje assessor do governador Beto Richa.
Para Monteiro, o atuante movimento estudantil da época foi uma das forças que tornaram possível a realização do grande comício na terra vermelha. "Para nós era sangue no olho", diz, bem humorado, para completar: "A mobilização política em Londrina sempre foi muito forte, com participação de várias entidades de classe, e todas estavam muito empenhadas com as Diretas. Acho que o movimento só se equiparou, em termos de emoção, ao movimento pela Anistia, que também reuniu muita gente nas ruas", compara. Segundo o jornalista, ajudou o fato de Londrina ser um "grande caldeirão" com uma considerável mescla de pessoas.
O dia em que o Congresso Nacional derrubou a emenda Dante de Oliveira, que estabeleceria as eleições diretas para presidente, em 25 de abril de 1984, foi definido por Monteiro como de grande frustração. "Voltamos para o Calçadão, para nova manifestação, e mais uma vez a emoção tomou conta de todos nós. Muita gente chorou, inclusive eu." (S.L.)





