Episódio de Salto do Lontra terá júri em julho
Nos anos 1980 e 90, outros dois casos de linchamento no Paraná também repercutiram em todo o Brasil. Em 1983, seis suspeitos de homicídio em Barracão (Sudoeste) foram mortos. Eles seriam integrantes de uma quadrilha de ladrões de automóveis e teriam confessado o assassinato de dois taxistas. Os seis foram retirados da delegacia local, onde estavam presos, levados até um campo de futebol a 1,5 quilômetro da unidade policial e mortos com pauladas e facadas.
Segundo relatos, cerca de 150 homens mascarados teriam praticado o linchamento. Em 2009, oito acusados de terem participado do crime foram absolvidos. O próprio Ministério Público se manifestou pela absolvição, por falta de provas.
Em 1994, três suspeitos de homicídio foram linchados em Salto do Lontra (Sudoeste) por cerca de mil pessoas que invadiram a delegacia. Os três mortos eram um médico, diretor de um hospital da região, o cunhado dele e um investigador da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Eles teriam participação na morte de uma enfermeira.
À época, duas razões para o assassinato foram cogitadas: seria uma retaliação porque a enfermeira havia entrado com uma ação trabalhista contra o hospital ou uma desavença entre o médico e a enfermeira, que teriam um caso extraconjugal. Segundo reportagem da FOLHA da época, o investigador havia confessado que havia sido contratado para matar a enfermeira.
Houve desaforamento do caso porque, segundo a promotoria, muitos moradores da cidade tinham parentes e/ou conhecidos envolvidos no linchamento. Na década seguinte, dois julgamentos foram marcados em Cascavel, com 22 réus ao todo, o que resultaria em um dos maiores júris do País, mas foram cancelados nas duas oportunidades por questões processuais.
Um novo júri foi marcado para 15 de julho deste ano. Serão julgados 16 réus os outros tiveram extinção da punibilidade porque morreram ou por prescrição dos crimes. (F.G.)





