Entidade alerta sobre risco de exclusão dos dependentes
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sábado, 24 de fevereiro de 2001
Silvana Leão De Londrina 
Em visita a Londrina na semana passada, o presidente da Associação Brasileira de Redutores de Danos (Aborda), Domiciano Siqueira, comentou o tema escolhido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para a Campanha da Fraternidade deste ano. Para Siqueira, o sentimento que mobiliza a campanha é muito bom e necessário, mas lembra que os grandes projetos sociais não sobrevivem só de grandes objetivos. É preciso que existam também métodos adequados.
O conceito da redução de danos foi trazido para o Brasil há 12 anos, com o objetivo de inserir o usuário de drogas na sociedade, dando-lhe o direito a serviços básicos, como saúde e educação. Sem cobranças ou imposições, estas pessoas passam a ser cuidadas e, consequentemente, sentem-se valorizadas. A recuperação da auto-estima é o primeiro passo para o abandono do vício.
Domiciano Siqueira afirmou, na quinta-feira passada, não ter conhecimento do teor da campanha e nem de suas propostas. Até agora só sei qual é o tema. Mas o próprio título escolhido pela CNBB, Vida sim, drogas não!, requer atenção para que não se torne ele próprio violento, na opinião do presidente da Aborda. É preciso cuidado com a interpretação, para que não pareça que quem usa drogas não tem vida.
Para Siqueira, não dá mais para simplesmente afastar da sociedade as pessoas que usam drogas. Se a Campanha da Fraternidade não se pautar pelo método da simples repressão, poderemos apoiá-la e dar nossa colaboração, diz. O programa de redução de danos conta com apoio e patrocínio do Ministério da Saúde. Atualmente são 32 mil usuários de drogas injetáveis beneficiando-se dos programas vinculados ao sistema de saúde no Brasil, num universo de aproximadamente um milhão de usuários, segundo dados do governo federal.
O presidente da Aborda acredita que as únicas alternativas viáveis para o problema são aquelas pautadas pelo afeto e respeito às pessoas. É preciso coração aberto, não no sentido de ser bonzinho, mas de resgatar a dignidade a partir da compreensão do outro.
Domiciano Siqueira afirmou ainda não ter a intenção de criticar uma campanha que mal está começando, mas de alertar para o fato de que o discurso antigo, conservador e moralista é o responsável pelo atual estado de coisas. Ele alertou também para o perigo de se cair em contradição com a campanha do ano passado, que abordou os excluídos da sociedade. Para mim, o tema da campanha deveria ser vida sim, com usuários de drogas juntos, disse.


