A assessora pedagógica de alfabetização da secretaria municipal de Educação, Rosana Daliner Acosta Marchese, discorda da informação levantada pelo estudo ''Os Novos Caminhos da Alfabetização Infantil'', que aponta a possibilidade de 80% dos alunos das oitavas séries das escolas públicas apresentarem analfetismo funcional. ''O índice é alto, mas não acredito que chege a esse valor. Existem vários grupos de pesquisa sobre alfabetização e cada um tem suas próprias análises e resultados'', afirma.
Em Londrina, segundo ela, o que se espera é que as crianças de 8 a 9 anos, ao final do ciclo de alfabetização, sejam capazes de ler, escrever e interpretar um pequeno texto. ''O trabalho começa no primeiro ano, com atividades lúdicas para desenvolver habilidades preparatórias para a alfabetização'', explica. No segundo ano, realiza-se a alfabetizçaão sistemática e, no terceiro, consolida-se o processo, com introdução de noções de pontuação e ortografia.
No ano passado, quando encerrou-se o primeiro ciclo de alfabetização de crianças inseridas no ensino de nove anos, o município registrou a reprovação 9,7% de alunos que não alcançaram os objetivos propostos. No ano anterior, ao final do último ciclo de oito anos, o índice de reprovação foi de 13,6%. ''Consideramos que houve avanços'', enfatiza.
No início de 2012, ela acrescenta que foram avaliados 6.356 alunos (a rede tem 6,9 mil) que estavam começando o último dos três anos do ciclo de alfabetização. A constatação foi que 80,5% já sabiam ler e escrever. ''O restante estava em processo de alfabetização, com possiblidade de aprender até o fim do ano'', esclarece.
Diante dos números, a secretaria vai adotar, como medida preventiva, um projeto oferecido por assessoria externa que vai capacitar professores e indicar materiais didáticos para atendimento das crianças ainda não alfabetizadas. O trabalho será realizado sistematicamente por cinco meses, no contraturno escolar.
Sobre os métodos de alfabetização utilizados pela rede municipal, Rosana explica que os mesmos não são fechados, mas a linha pedagógica adotada é a chamada de progressita, que baseia-se no alcance de cinco níveis psicolinguísticos. ''Em cada um dos níveis as crianças vão formulando hipóteses sobre a leitura e a escrita. É a linha proposta pelo MEC'', afirma.
Convicta da eficiência da linha pedagógica, ela admite, entretanto, que ainda existem barreiras para alfabetização plena de todos os alunos da rede. ''Elas (as professoras) aderam às diretrizes do MEC, mas têm dificuldade na abordagem por estarem muito ligadas ao jeito antigo de ensinar, apesar de oferecermos constantemente cursos de capacitação e formação continuada.'' Outra barreira é o ambiente onde vivem muitas crianças. ''São famílias que não veem a função social da escrita e da leitura como essencial, por isso não valorizam'', diz.

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