A estudante secundarista L.M.M, de 16 anos, aluna do segundo ano no Colégio Aplicação, em Londrina, considera o ensino médio nas escolas públicas muito falho, tanto na questão de conteúdo como na qualificação dos professores.
A adolescente fez parte do ensino fundamental em escola particular e sentiu a diferença na qualidade quando mudou para a pública. "Você percebe que o ensino médio falha na questão de te preparar para o vestibular e o Enem. Muitos conteúdos só o ensino particular consegue abordar", comentou.
Segundo ela, o conteúdo aplicado em sala de aula não prepara o aluno para ingressar em uma universidade. "O aluno tem que estudar muito fora da sala de aula, porque o que você aprende em sala não te garante um bom desempenho no vestibular", afirmou.
L.M.M acredita que a reforma do ensino teria que passar primeiro por uma mudança na metodologia. "Tem professor que está há 10 anos na escola e não se atualiza. O Estado tinha que ajudar esses professores a estabelecer uma nova metodologia. A mudança devia começar pelo jeito de passar o conteúdo."
O conteúdo é insuficiente, segundo a estudante, que defende que a escola deveria abordar mais questões de cidadania e sociologia. "Você vê gente se formando no ensino médio que não conhece os dois lados da sociologia, por exemplo. Não conhece os autores. Considero importante ter um leque de pensamentos para refletir sobre as coisas", disse.
A adolescente é contrária a alguns aspectos da Medida Provisória (MP) do ensino médio. Para ela, a sociologia deixar de ser obrigatória vai limitar a opção do aluno de ter um mínimo de conhecimento. "Sou contra obrigar a ter só português e matemática. Na vida você não precisa só disso."
Ela também acredita que as escolas não estão preparadas para adotarem o ensino integral. E defende que esse ponto precisa ser repensando.
A secundarista, que pretende prestar vestibular ano que vem, está preocupada com o futuro. "Não tenho condições de pagar um cursinho. É muito injusto ter que competir com alunos de escola particular." L.M.M estuda à noite e no próximo ano pretende trabalhar durante o dia. (Aline Machado Parodi/Reportagem Local)

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