ENSINO MÉDIO - Sistema blocado tenta reduzir evasão
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sábado, 25 de agosto de 2012
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Na Escola Estadual Olympia Morais Tormenta, no Conjunto João Paz (Zona Norte), a direção adotou o ensino blocado, com a carga horária de metade das disciplinas concentrada no primeiro semestre e o restante no segundo, para tentar diminuir a evasão que, no ensino médio do período noturno, chega a 20%. ''Quem sai da escola pode retornar no segundo semestre'', explica o diretor geral Antônio Marcos Rodrigues Gonçalves.
O sistema, segundo ele, permite um contato maior do professor com o aluno e, consequentemente, mais contato do aluno com os conteúdos das disciplinas. O lado negativo é que as matérias estudadas no primeiro semestre não são revisadas, o que pode atrapalhar no vestibular. ''Mas é fato que, para chegar na faculdade, o aluno precisa se organizar para estudar além da escola'', minimiza o diretor.
Em 2011 o colégio atingiu a nota 3,8 no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do Ensino Médio no País, com queda em relação aos 4,1 de 2009. ''Estamos tentando entender esta nota. Não sabemos qual o peso da influência de critérios como evasão e reprovação'', afirma. Como outros profissionais ouvidos nesta reportagem, ele associa a falta de investimento na estrutura da escola, carga horária exaustiva dos professores e dificuldades para realizar a interdisciplinaridade aos resultados do Ideb. ''Além disso, falta os alunos entenderem que é necessário ter dedicação aos estudos'', destaca.
Vestibular
As estudantes Jéssica Ribeiro, Kawana Coimbra, Arissa Cristina Iwase e Raquel Martins, todas de 17 anos e matriculadas no terceiro ano do ensino médio da escola, pretendem prestar vestibular no final do ano. Não possuem, entretanto, certeza de terem condições de obter aprovação.
''Aqui na escola tem muita substituição de professores. Os novos mudam o jeito de explicar e a gente acaba não entendendo nada'', diz Kawana. A colega Arissa, que nasceu no Japão e realizou os primeiros anos da vida escolar naquele país, revela que estranhou o sistema de ensino brasileiro. ''Os alunos não se envolvem com a escola. No Japão eu aprendia muito mais'', compara.
Raquel, que tem vontade de estudar Jornalismo, cogita também a ideia de fazer um curso técnico para aumentar as chances de se colocar no mercado de trabalho. ''Gosto de lidar com pessoas e acho que terei oportunidades mesmo sem a faculdade'', diz.
Para Jéssica, o próprio esforço diante dos estudos para passar no vestibular é minimizado pelo maior acesso de concorrentes de outras ecolas a uma educação de qualidade. ''Não acho que outros alunos sejam mais inteligentes que a gente, mas que eles têm acesso a métodos de ensino mais eficientes'', critica a estudante, que também reclama do ensino blocado. ''Até o final do ano, vamos esquecer as disciplinas do primeiro bimestre'', exemplifica.
A adolescente gostaria de aproveitar as oportunidades de estágio voluntário para estudantes brasileiros durante a Copa do Mundo de 2014, mas já sabe que não pode concorrer. ''Precisa falar inglês e eu não sei. Temos aulas de inglês desde a quinta série e não aprendemos nada além do verbo 'to be''', lamenta.
Questionadas sobre a possibilidade de passarem mais tempo na escola, como propõem as novas diretrizes do MEC, as alunas afirmaram que gostariam, mas não na estrutura que possuem atualmente à disposição. ''Ficaríamos mais tempo na escola se pudéssemos trabalhar em equipe, praticar esportes, ter aulas mais dinâmicas em laboratórios específicos para cada disciplina'', propõem. (C.A.)


