Terminar o ensino médio, prestar vestibular, chegar ao ensino superior e, num futuro próximo, conseguir oportunidades de trabalho que garantam qualidade de vida melhor que a alcançada pelos pais. Esta é a expectativa dos estudantes Kelly Alves Teodoro Leandro, 24 anos, Patrícia Nayara Souza Silva, 17, Camila Rosa, 17, e Edislon Rocha dos Santos, 17, todos matriculados no terceiro ano do ensino médio noturno da Escola Estadual Thiago Terra, localizada no bairro União da Vitória, na Zona Sul de Londrina.
Estudiosos, dedicados e reconhecidos como bons alunos por professores e equipe pedagógica, eles têm as qualidades necessárias para realizarem com êxito os projetos de vida. Cientes da realidade da educação que recebem na escola, entretanto, os jovens estudantes não estão muito confiantes sobre a possibilidade de passarem no vestibular. Matriculados no ensino noturno, apontam problemas como falta de professores, profissionais desmotivados, preconceito com a localização da escola, falta de estrutura e a indisciplina dos colegas como fatores que podem limitar as chances de aprovação.
O temor dos alunos reforça uma realidade escancarada pelos resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do Ensino Médio no País. No Brasil, a nota de 3,7 superou em apenas 0,1 ponto o resultado de 2009. No Paraná, a nota caiu de 4,2 para 4.
''O ensino fraco não incentiva a gente a continuar estudando'', afirma Kelly, que ficou sete anos sem estudar por causa do exaustivo trabalho em um salão de cabeleireiros e voltou à escola no ano passado por alimentar o sonho de cursar a faculdade de Nutrição. ''Tenho 24 anos e não venho para a escola perder tempo, mas acho que só dá para entrar na faculdade se fizer cursinho'', lamenta.
A auxiliar administrativa Patrícia quer cursar Ciências Biológicas, mas, depois de uma breve experiência no cursinho pré-vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL), concluiu que não aprende na escola os conteúdos que serão cobrados no vestibular. ''Fico frustrada, porque venho todos os dias para a aula e não aproveito o tempo'', afirma.
Esta é a mesma sensação da operadora de caixa Camila Rosa Massalino, 17, filha de um mestre de obras que, encantada com os projetos arquitetônicos que o pai leva para casa, resolveu fazer vestibular para Arquitetura. Dedicada aos estudos, ela reclama da indisciplina dos colegas que desestabiliza os professores e os leva a desistir das aulas expositivas, substituindo por atividades e cópias numa tentativa de manter a ordem.
''Os professores são a nossa fonte de conhecimento e deveriam conseguir explicar'', cobra, lembrando que, apenas neste ano, dois professores de Filosofia desistiram da escola. ''A gente só começou a ter aulas no segundo bimestre'', conta.
Edislon, um servente de pedreiro que sonha com a faculdade de Engenharia, tenta não dar atenção às pessoas que o acusam de ''sonhar alto demais'' e se mantém firme no propósito de passar no vestibular. No ensino noturno, entretanto, depara-se com professores desmotivados e colegas cansados, o que dificulta a aprendizagem. ''É complicado conciliar os estudos com o trabalho, por isso, seria melhor se tivéssemos um bom ensino quando estamos na sala de aula'', reivindica.
Os quatro estudantes também gostariam que as regras estabelecidas pela própria escola fossem respeitadas. ''Eles pedem carteirinha, uniforme, e depois não cobram. Se fosse mais rígido, só viria para a aula quem está realmente interessado'', defendem.

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