ENSINO MÉDIO - MEC propõe mudanças no currículo
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sábado, 25 de agosto de 2012
Carolina Avansini <br> Reportagem Local 
A divulgação dos resultados insuficientes das escolas de ensino médio na última edição do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) levou o Ministério da Educação (MEC) a discutir sobre a necessidade de modernização do currículo, propondo a integração das diversas disciplinas em grandes áreas. A inspiração deverá vir do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que organiza as matrizes curriculares em quatro grandes grupos: linguagens, matemática, ciências humanas e da natureza.
O debate não é novo: no ano passado, o Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou as novas diretrizes curriculares do ensino médio que propõem uma flexibilização do formato atual. O diagnóstico é que o currículo é muito inchado - em média são 13 disciplinas -, o que prejudicaria a aprendizagem. Além disso, a proposta inclui ampliação das escolas de tempo integral.
A pedagoga Adriana Regina de Jesus, doutora em Educação, professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e diretora do Colégio de Aplicação da instituição, afirma que o Ensino Médio é a mais problemática das modalidades de educação básica nas escolas públicas. ''Não prepara para o vestibular e nem para o mercado de trabalho'', critica, citando pesquisa do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) de 2009, que constatou que apenas 11% dos alunos do 3º ano do ensino médio sabem o conteúdo esperado de Matemática e 28,9%, o de Língua Portuguesa.
Além disso, dados do IBGE indicam que 49,8% dos brasileiros de 19 anos não conseguiram concluir o ensino médio e apenas 14,4% dos jovens de 18 a 24 anos frequentam o ensino superior. ''Há estudantes que chegam à universidade em situação de analfabetismo funcional e que não vão se posicionar no mercado de trabalho'', acrescenta.
Para a especialista, as causas desta ''crise'' envolvem desde a falta de cobrança das famílias, que neste período precupam-se principalmente com a entrada dos adolescentes no mercado de trabalho, até as condições dos professores, cujas cargas horárias exaustivas em sala de aula os impedem de pesquisar e se preparar para o ofício. ''Por outro lado, o tempo passado com cada turma é curto, o que dificulta o esgotamento dos conteúdos previstos.''
Rotatividade excessiva dos docentes, muitas faltas mediante apresentação de atestados médicos, alunos descompromissados e a falta de diálogo entre as disciplinas da grade curricular são outros problemas. ''Enquanto os alunos são nativos digitais, a escola é cartesiana, do mesmo jeito que era na época medieval'', compara.
Apesar das críticas, Adriana não acha que as mudanças necessárias sejam muito profundas. ''A escola não precisa mudar, o que precisa é modificar a didática, as metodologias, para que o aluno saia da escola com formação politécnica, como um sujeito pensante apto para o ensino superior e para o mercado de trabalho.''
A Secretaria Estadual de Educação (Seed) informou que tem promovido discussões sobre a possível implantação das Novas Diretrizes Nacionais do Ensino Médio propostas pelo MEC no Estado. No que se refere ao Ideb, uma nota enviada pela assessoria de imprensa informa que ''os dados são do Estado, e coletados por amostragem, o que dificulta a identificação dos estabelecimentos de ensino neste resultado. Diante disto, existe um trabalho contínuo de proposição de ações para a Educação Básica da Rede Estadual de Ensino''. (Com Agência Brasil)


