Planejar o desenvolvimento de uma região é função das diversas áreas de Engenharia. Essa vocação, conforme a professora Sílvia Gabão de Souza Cervantes, diretora do Centro de Tecnologia e Urbanismo (CTU) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), justifica a mobilização de vários setores da sociedade londrinense pela instalação dos cursos de Engenharia de Produção, Engenharia Mecânica e Engenharia Química na instituição de ensino superior.
O assunto causou polêmica, nos últimos dias, após a negativa do secretário de Ciência e Tecnologia e Ensino Superior (Seti), Alípio Leal, para a abertura imediata de três graduações. A notícia foi recebida com espanto pelas várias lideranças do município. Primeiro, porque toda a documentação burocrática estava pronta. Segundo, porque de acordo com os representantes do Núcleo de Desenvolvimento Empresarial - que encabeça a campanha -, o próprio governador Beto Richa havia sinalizado favoravelmente à aprovação.
Para Sílvia, a formação de mão de obra especializada e incentivo ao desenvolvimento de inovações tecnológicas são argumentos em prol dos cursos, cuja criação demandaria investimento de R$ 24 milhões ao longo de cinco anos. ''Os recursos são necessários para a estrutura predial, equipamentos e contratação de mão de obra'', explica ela, lembrando que a infraestrutura da UEL e docentes de disciplinas básicas (matemática, física e química), além de alguns professores das engenharias já existentes na universidade, estariam disponíveis para os novos cursos, o que reduziria custos.
De acordo com a diretora, a demanda por novas graduações na área de Engenharia é antiga. ''Grandes projetos como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e a realização da Copa do Mundo no Brasil evidenciaram essa necessidade'', diz.
Por essa conjuntura, o Fórum Desenvolve Londrina solicitou à Universidade um estudo para justificar a necessidade. Sílvia reforçou que a UEL, por toda sua história de investimento em pesquisas e prestação de serviços à comunidade, tem o melhor perfil para receber as graduações. ''Não se trata apenas de formar engenheiros, mas de incentivar o desenvolvimento'', defendeu.
Ela afirmou ainda que o setor produtivo se ressente há tempos da falta de tecnologias que poderiam fomentar o crescimento de setores que fazem parte da vocação econômica da região, como por exemplo o desenvolvimento de equipamentos para agricultura, agroindústria e construção civil. ''A cidade tem mais de 700 empresas metalúrgicas e não forma engenheiros mecânicos.''
Cristianne Cordeiro Nascimento, pró-reitora de extensão da UEL, lembra que os últimos cursos criados na instituição datam de mais de dez anos. ''O pedido pelo curso de Nutrição tramita há vários anos no governo.'' Para ela, o crescimento das universidades deveria ser encarado como assunto estratégico. ''A cada R$ 1 investido na universidade, contabiliza-se um retorno de R$ 1,34 para a sociedade.''
Em Londrina, segundo a pró-reitora, a importância da UEL é visível não apenas na formação de profissionais, mas também no retorno oferecido pelos projetos de extensão, pesquisa e desenvolvimento de tecnologias. A instituição soma 43 cursos de graduação e 189 de pós-graduação. São 1.055 projetos de pesquisa em andamento e 164 projetos de extensão.

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