Um dos principais reflexos das conquistas feministas no dia a dia das mulheres contemporâneas está no acesso à educação. Na Universidade Estadual de Londrina (UEL), por exemplo, entre os estudantes matriculados em um dos 68 cursos de graduação (considerando turnos e habilitações), as mulheres são 8.827 do total de 14.702 alunos, o que corresponde a mais de 60% dos graduandos.
Na mesma insitutição, a presença feminina é marcante também em cargos de gestão. É o caso da engenheira elétrica Silvia Galvão que, contrariando o senso comum de que mulheres não se interessam pelas ciências exatas, foi incentivada a cursar engenharia por um ex-chefe e consolidou carreira na área.
Ela conta que trabalhava numa fábrica de tintas em Santo André e, à noite, cursava faculdade de Ciências Sociais. ‘‘Convivia com muitos engenheiros e admirava a forma como eles visualizavam os problemas e buscavam as souluções’’, diz.
Incentivada pelo chefe da época a cursar engenharia, ela pediu demissão, fez cursinho com o acerto recebido e acabou entrando no curso de engenharia química da Unesp. ‘‘Me encantei com a matemática e acabei mudando para engenharia elétrica’’, revela Sílvia, que trabalhou em diversas indústrias antes de consolidar carreira acadêmica na UEL. ‘‘Nunca senti preconceito por parte dos colegas de classe ou profissão, mas enfrentei barreiras quando trabalhava em ‘chão de fábrica’, onde os operários – principalmente os mais jovens – me testavam a todo momento. Mas eu me sobressaía’’, recorda.
Para ela, engenharia também ‘‘é coisa de mulher’’. ‘‘Temos a mesma capacidade e, muitas vezes, enxergamos jeitos diferentes de resolver os problemas’’, defende ela, que credita ao comportamento humanista a oportunidade de se tornar chefe do Centro de Tecnologia e Urbanismo (CTU), na UEL. ‘‘Procuro ouvir as pessoas e tentar ajudá-las.’’(C.A.)

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