A pesquisa Ciclosoft 2014, realizada pela associação Compromisso Empresarial pela Reciclagem (Cempre), detectou que a concentração dos programas municipais de coleta seletiva permanece nas regiões Sudeste e Sul do País. Do total de municípios brasileiros que realizam esse serviço, 81% está situado nessas regiões. Além disso, cerca de 28 milhões de brasileiros (13%) têm acesso a programas municipais de coleta seletiva.
Aparas de papel e papelão são os tipos de materiais recicláveis mais coletados por sistemas municipais de coleta seletiva (em peso), seguidos dos plásticos em geral, vidros, metais e embalagens longa vida. A porcentagem de rejeito ainda é elevada, em torno de 20%, o que indica a necessidade de investir em comunicação para que a população separe o lixo corretamente.
O mesmo estudo aponta que, em Londrina, o auge da coleta seletiva ocorreu em 2008, quando foram coletadas 3.540 toneladas/mês de material. Em 2014, o volume caiu para 1.261 ton/mês. Em Curitiba, ao contrário, os resultados são crescentes. A capital passou de 1.530 ton/mês para 3.010 ton/mês no mesmo período. Nas duas cidades paranaenses investigadas pela pesquisa, quase 100% da população é atendida pelo serviço.
André Vilhena, diretor-executivo do Cempre, explica que a descontinuidade nos serviços de coleta acaba interferindo na adesão da população à separação dos resíduos, mas que em geral a população responde bem quando o serviço funciona. "O engajamento das pessoas ainda é um gargalo em algumas regiões", admite ele, que discorda dos resultados da pesquisa SNIS, que aponta a reciclagem de apenas 1,6% do total dos resíduos sólidos coletados no Brasil. "Essas pesquisas não consideram o material que é coletado por trabalhadores independentes. Existe informalidade na cadeia", aponta, destacando que os recicladores, normalmente os empresários que compram a matéria-prima proveniente da reciclagem, estimam um índice de 65% de aproveitamento dos resíduos recicláveis.
Ele admite que existem alguns produtos que, apesar de apresentarem potencial para reciclagem, acabam "encalhando" nas cooperativas por falta de mercado – como é o caso do vidro – ou até de logística para encaminhar o material para o reciclador, como é o caso do isopor que ocupa grande volume porque pesa muito pouco, o que gera dificuldade de transporte. (C.A.)

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