A aprovação recente de uma resolução da Aneel que permite a compra de energia a partir de produtores independentes, por meio de compras públicas, está incentivando a Copel a avaliar novas possibilidades de geração a partir de fontes alternativas. Anteriormente, a companhia atuou na viabilização técnica e econômica do projeto de geração de energia a partir de resíduos suínos na região Oeste, em parceria com Itaipu.
De acordo com o diretor de Novas Energias da Copel, Henrique José Ternes Neto, a prioridade recai atualmente sobre a pesquisa e investimento em fontes eólicas, dentro e fora do Paraná, devido à competitividade que esta atividade conquistou nos últimos anos. Foram adquiridos nove parques eólicos desde 2011, no Rio Grande do Norte, dois deles com previsão de entrada em operação em setembro, e os demais no início de 2015.
Também foi firmado em julho deste ano um convênio com a WEG Motores para o teste de dois aerogeradores de 2,1 megawatts (MW) cada, no parque eólico de Palmas. A Copel já conta com 2,5 MW instalados no local - o primeiro parque da região Sul, em operação desde 1999. "A parceria servirá para teste e certificação dos protótipos, com alto índice de componentes nacionais, e foi favorecida pela proximidade de Palmas e Jaraguá do Sul, sede da WEG, e pelo fato de o parque da Copel já contar com mapa de ventos dos últimos nove anos. Esta parceria é uma oportunidade para avaliar o desempenho destes equipamentos no Paraná, que apresenta uma qualidade de ventos diferente dos demais estados do Sul e do Nordeste. Se tiver um desempenho adequado, pode se constituir em uma possibilidade de expandir a geração eólica no Paraná", diz.

Populações isoladas
Também com foco na exploração da energia eólica, mas com o objetivo de atender populações isoladas sem acesso à energia, o Instituto Santos Dumont de Tecnologia e Desenho Industrial, em parceria com o Instituto Aurora, desenvolveu o aerogerador Tufão, com capacidade para atender populações de 80 a 100 pessoas em bases de consumo rural.
O arquiteto Luiz Gonzaga Scortecci de Paula, superintendente do projeto e presidente do Instituto Santos Dumont, conta que o primeiro protótipo foi desenvolvido em 2007. Atualmente, há um "Tufão" em Tijucas do Sul e outro na fábrica, em Irati (Centro-sul). "Estamos realizando ajustes antes de lançar comercialmente. Falta o gerador e a casa de força", explica.
O projeto é totalmente financiado pelo quadro de associados. "Financiamento público é muito burocrático", considera. O foco é atender programas de desenvolvimento local sustentável no Brasil e no mundo, o que inclui comunidades quilombolas, aldeias indígenas, colônias de pescadores e favelas. Através do programa "Tufão do Bem", as instituições esperam conseguir patrocínio colaborativo para levar o sistema a comunidades carentes. "Só no Brasil, existem cem mil localidades sem energia elétrica. Outro dado alarmante é que pelo menos 13 mil escolas não têm acesso à energia", informa.

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