O município de Ponta Grossa enfrenta, desde o fim do ano passado, um surto de meningite viral. De 1º de janeiro a 17 de fevereiro, foram registrados 95 casos. Em média, duas pessoas são contaminadas por dia.
A meningite é uma doença endêmica –sem perspectiva de erradicação. E é por essa característica que os especialistas não consideram que o município esteja passando por ume epidemia. A grande maioria dos contaminados é de crianças com idades entre 3 e 9 anos. Desde o início do ano, ocorreu uma morte.
Uma das vítimas é Luiz Felipe Grizoski, de um ano e oito meses. Ele foi internado no último dia 5 e liberado quatro dias depois. Sua mãe, Júlia Grizoski, conta que seus outros filhos, de 5 e 12 anos, não apresentaram os sintomas. ‘‘Ele está bem melhor e só ficou todo esse tempo no hospital porque os médicos foram muito cuidadosos’’, diz.
Para a meningite viral, assim como não existe vacina, também não existe um remédio. A medicação aplicada é apenas para amenizar o desconforte provocado pela infecção. ‘‘Quem vai combater o vírus é o próprio organismo da criança’’, explica o chefe da Vigilância Epidemiológica do município, Isaías Cantóia Luiz.
Os médicos do município ainda não sabem qual o vírus que está espalhando a doença. Mas desconfiam que seja um enterovírus, uma espécie de vírus presente no intestino e que em algumas crianças se manifesta de outras formas, como através de diarréias e quadros febris sem causa aparente.
Como as crianças que vêm apresentando a doença na cidade estão numa idade de conquista de autonomia, fazendo sozinhas sua higiene e alimentação, embora ainda de forma inadequada, os médicos acreditam que a infecção está acontecendo por falta de higiene.
Eles afastam a hipótese de que a doença possa ser transmitida de uma pessoa para outra. Mas a semana passada foi a que registrou o maior número de casos: 17. Coincidência ou não, foi justamente na semana de reinício das aulas. Também na última semana, a prefeitura iniciou uma campanha de conscientização, distribuindo folhetos.
Em todo o Paraná já foram registrados neste ano 229 casos da doença, 42 casos a mais do que no mesmo período do ano passado. Além de Ponta Grossa, que tem o maior número de casos, também há registros em Londrina (26) e Curitiba (16).

mockup