Durante o 4º EncontrosFolha, o coordenador do curso de Ciência da Computação da UniFil, Sérgio Tanaka, que atuou como mediador do debate, provocou os demais painelistas sobre os supostos baixos salários pagos pelas empresas de TI na cidade, que não seriam suficientes para reter talentos.
Segundo o presidente do Sindicato da Indústria de Software do Paraná (Sinfor-PR), Marcus von Borstel, não é só salário que segura mão de obra em TI, mas a oferta de espaço para se criar algo novo. "Esse é o grande atrativo para os jovens", afirmou. Ele ressaltou que pequenas empresas de TI de Londrina estão exportando software para o mundo.
O prefeito Alexandre Kireeff disse que não se pode falar em perda de talentos na cidade sem um estudo a esse repeito. "Precisamos de dados para falar que perdemos talentos. Não podemos concluir isso sem a precisão dos dados", declarou.
Ele também afirmou que o ambiente institucional em Londrina melhorou em sua gestão e defendeu o papel do município como incentivador do setor privado. "Não dá para excluir o processo político. Ilusão imaginar que o trabalho do APL (Arranjo Produtivo Local de TI) pode ser dissociado da política. O que modifica é a participação e não a omissão", ressaltou o prefeito.
Já o coordenador estadual do Programa de TI do Sebrae/PR, Emerson Cechin, afirmou que, no Vale do Silício, na Califórnia, os empresários atuam com independência em relação ao Poder Público. Ele costuma levar brasileiros para conhecer a experiência norte-americana. "Chegamos numa instituição que representa as empresas de lá e perguntamos como o governo ajuda o setor. Disseram que, no Vale, não interessa o que o governo faz ou deixa de fazer. O que interessa é como se comportam em relação ao governo", disse.
Ele ressaltou que, se Londrina quiser ser referência em TI, terá de investir "pesadíssimo" em inovação, como fazem os empresários do Vale do Silício. "Se quisermos ser competitivos, temos de fazer inovação."
Cechin citou o agronegócio como um setor ao qual as empresas de TI deveriam se dedicar. "Temos de pensar em desenvolver tecnologia para o agronegócio. Temos que pensar no que somos melhores e transformar isso em tecnologia para o mundo", declarou. (N.B.)

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