A partir de 1º de janeiro de 2020, entra em vigor nos países que integram a União Europeia (UE) um conjunto de regras que obrigam a cadeia produtiva a absorver, em todas as suas etapas, os resíduos e produtos decorrentes da atividade econômica. A decisão é pautada pelo conceito de "economia circular" e, segundo o secretário estadual de Planejamento do Paraná, Sílvio Barros, vai atingir inclusive empresas de fora da Europa que fornecem produtos e matéria-prima para companhias de países integrantes da UE. Ele abordou o tema no painel apresentado na 6ª edição do EncontrosFolha. "Na União Europeia, quem não seguir as regras não poderá funcionar. Quem faz parte da cadeia destas empresas, mesmo estando no Brasil, terá que se adaptar", disse, lembrando que o prazo é curto, apenas quatro anos até as novas regras começarem a valer.
A economia circular tem sido apresentada como uma solução para a crescente crise de recursos do planeta. De acordo com artigo da jornalista ambiental Maxine Perella, publicado no site Ideia Circular, cujo objetivo é divulgar o conceito de economia circular no Brasil, as reservas de recursos estratégicos como metais de terras raras e minerais estão diminuindo, enquanto o custo da exploração e extração de materiais está se elevando.
"A economia linear atual, baseada no modelo de ‘extração-manufatura-descarte’ resulta em um desperdício massivo, pois 90% das matérias-primas usadas na indústria viram lixo antes que o produto saia da fábrica, enquanto 80% dos produtos fabricados são jogados fora em até seis meses. Essa realidade, junto a tensões crescentes quanto a questões geopolíticas e risco de suprimento, contribui para a volatilidade do preço de commodities", explica. Para a autora, uma economia circular poderia ajudar a estabilizar alguns desses fatores, divorciando o crescimento econômico do consumo de novos recursos.
O modelo atual de reciclagem, baseado na substituição de materiais primários por secundários, é considerado uma solução parcial, pois a reciclagem tem um alcance limitado com processos que requerem muita energia. Além disso, desvalorizam ou reduzem a qualidade dos materiais, mantendo a demanda por matéria-prima virgem. "A economia circular vai além da reciclagem, já que se baseia em um sistema industrial restaurativo e comprometido com a eliminação do resíduo no processo de design", explica.
O artigo cita análise realizada pela McKinsey estimando que uma mudança para um modelo circular poderia adicionar U$ 1 trilhão para a economia global até 2025 e criar 100 mil novos empregos nos próximos cinco anos. De acordo com a Visão de Economia Circular 2020 proposta pela Waste & Resources Action Programme, a União Europeia pode ter um acréscimo de 90 trilhões de libras na sua balança comercial e criar 160 mil empregos novos. O setor industrial será possivelmente o que verá os benefícios mais rapidamente, dada sua dependência por matéria-prima.

Pacto Global
No painel, Sílvio Barros citou também o Pacto Global definido pela Organização das Nações Unidas (ONU) como outro conjunto de orientações que, quando seguidas, podem trazer benefícios às empresas. O pacto tem o objetivo de mobilizar a comunidade empresarial para a adoção, em suas práticas de negócios, de valores fundamentais e internacionalmente aceitos nas áreas de direitos humanos, relações de trabalho, meio ambiente e combate à corrupção. (C.A.)

mockup