ENCONTROSFOLHA - Estado atrapalha sustentabilidade empresarial
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sábado, 05 de março de 2016
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 
Quando o Estado não é sustentável, a iniciativa privada também tem sua sustentabilidade comprometida. Essa foi uma das tônicas das discussões feitas durante a 6ª edição do EncontrosFolha, realizado pelo Grupo Folha de Comunicação em parceria com a Fundação Dom Cabral, no Buffet Planalto, na última quarta-feira. A programação do encontro, que teve Sustentabilidade Empresarial como tema, foi composta pela palestra "Como aumentar o valor da sua empresa", apresentada pelo professor da FDC, Pedro Lins, e um painel, seguido de debate.
"Faz de conta que você fez tudo certo, treinou seu pessoal, fez investimentos necessários. De repente, o governo aparece e estraga tudo. Vai lá e sequestra sua competitividade, baixando um decreto, aprovando uma lei", afirmou o secretário do Estado do Planejamento, Sílvio Barros, um dos painelistas do evento. Para ele, grande parte do problema que o País enfrenta hoje é devido ao fato de o Estado adotar um modelo insustentável. "A conta não fecha", declarou.
Além do professor Pedro Lins e do secretário, participaram como painelistas do encontro o presidente da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Ágide Meneghette; o diretor de Provimento de Saúde da Unimed Londrina, Omar Taha; e o empresário Flávio Meneghetti, do Grupo Marajó.
Ricardo Barros comparou a sociedade a uma mesa de três pés: governo, setor produtivo e sociedade organizada. "Imagina que um desses pés é mais curto que os outros. Aí, nada sustenta essa mesa. Tudo que você coloca em cima vai escorregar." Fazendo autocrítica, ele reconheceu que a perna mais curta é a do governo. Para ele, há duas formas de se resolver o problema: "cortando os pés das outras duas ou enxertando a mais curta".
O secretário afirmou que cabe ao setor produtivo e à sociedade organizada ajudarem o governo a ser mais eficiente. Mas admitiu que é muito difícil. Para ele, os brasileiros têm muitos direitos e poucos deveres. "A conta (do Estado) não fecha porque há uma discrepância absurda entre direitos e deveres. E os políticos não têm coragem de enfrentar isso. Nas campanhas, só falam em mais direitos", declarou.
Se não fizer reformas estruturais, na visão de Barros, o Brasil não se torna sustentável e as empresas continuarão sendo prejudicadas. Ele defendeu a responsabilidade de cada cidadão. "Seja você a mudança que tanto procura nos outros. As pessoas não mudam com cobrança, mudam com exemplos", disse.
Pequenas e grandes
Adotar práticas sustentáveis é uma necessidade para as empresas que querem ter vida longa, independentemente de serem pequenas ou grandes. Em resposta a uma pergunta feita pelo empresário Flávio Meneghetti, durante o debate, o professor Pedro Lins, deu um exemplo de um pequeno negócio em Boa Vista (RO). "Lá no meio da Amazônia, um pequeno empresário, dono de uma lavanderia, me disse que só usava produtos biodegradáveis. Ele não queria que sua atividade tivesse impacto nos mananciais", destacou. Lins sugeriu a Meneghetti que experimentasse aplicar pequenas práticas em suas empresas. "Pode começar conscientizando os trabalhadores a apagarem a luz do banheiro", disse.
Respondendo a uma pergunta da plateia sobre qual o melhor indicador para medir a sustentabilidade da empresa, o professor sugeriu que as empresas usem indicadores já existentes, como o Indicador de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bovespa. E não gastem dinheiro para criar sua própria metodologia. "Criar um número custa tempo e dinheiro. Olhe o benchmark e use como indicador eficiente."
Sobre outra pergunta quanto aos GRIs - relatórios de sustentabilidade que as empresas publicam periodicamente -, ele ressaltou tratar-se de uma importante ferramenta para gerar indicadores de desempenho. Mas provocou a plateia, perguntando quem havia lido um GRI nos últimos tempos. Ninguém respondeu. "É que ninguém lê esses relatórios", afirmou. Lins defendeu que as empresas façam uma divulgação mais eficiente de suas boas práticas de sustentabilidade. "Se fizer uma pesquisa, 90% vão dar a Natura como exemplo de empresa sustentável. Mas ninguém leu o GRI da Natura."
As apresentações do palestrante e dos painelistas estão disponíveis na aba
ENCONTROSFOLHA, no site folhaweb.com.br/grupofolha. A empresa Vectra Construtora e o Sistema Faep são parceiros do EncontrosFolha, que ainda tem o apoio da J.Valério.


