Empresários adotam coletores
Desde outubro de 1997, os carrinheiros podem ter como opção procurar a Recoopere Cooperativa dos Coletores de Papel Reciclado para vender o material retirado das ruas de Curitiba. A cooperativa é uma espécie de associação. Os 320 filiados compram uma quota das ações da empresa para ter os benefícios oferecidos. A quota é de um salário mínimo, que é paga de acordo com os rendimentos do carrinheiro. Em troca, a cooperativa garante melhor preço de mercado para os produtos e se responsabiliza pela classificação, embalagem e venda para as cinco fábricas credenciadas.
Em alguns casos, são antecipados os valores do material coletado. A cooperativa fica com um percentual de 2,5% de tudo que é vendido. Silvio Tarcísio, contratado para ajudar na gestão da Recoopere, disse que atualmente a cooperativa tem um estoque de 30 mil quilos de papel. ''Precisamos das taxas cobradas para continuarmos nosso trabalho'', afirma.
Tarcísio criticou o trabalho dos pequenos depósitos em Curitiba. ''Os depósitos são necessários para os carrinheiros que não têm como comprar um carrinho próprio. Mas eles perdem muito valor com eles. Um quilo de plástico é comprado pelo agenciador por R$ 0,10. Nós pagamos R$ 0,20. Isto significa que a gente valoriza o trabalho do coletor'', salienta. Nas contas da cooperativa, atuam em Curitiba entre 5 e 6 mil coletores de lixo reciclável. Eles recebem salários que variam entre R$ 50,00 e R$ 120,00.
Para aumentar a renda dos carrinheiros, a Recoopere iniciou este ano a campanha ''Adote um agente ambiental''. Os carrinheiros são cadastrados e recebem crachás. Cada um deles tenta atrair um total de cinco a seis empresas que guardam o lixo reciclável e se comprometem a repassar este lixo diariamente. O rendimento mensal chega a dobrar com este tipo de ação. ''Precisamos fazer com que a população entenda que o trabalho dos carrinheiros é fundamental para o meio ambiente. Eles retiram cerca de 400 toneladas de lixo por dia na cidade e impedem alagamentos, enchentes. Esta campanha daria uma perspectiva de futuro para eles'', argumenta.
Atualmente, apenas 20 cooperados foram adotados por empresas ou famílias. Para fazer parte do programa, a empresa faz um cadastro junto à cooperativa e recebe uma ficha com todos os detalhes sobre o carrinheiro ajudado e sua família. ''Não existe qualquer risco para o empresário e o carrinheiro vive mais dignamente'', diz. O telefone para contato é o (41) 267-7311.(L.P.)





