Questões relacionadas à sexualidade jamais foram tabu na família de Edmara Damas e Gabriela Gomes
Questões relacionadas à sexualidade jamais foram tabu na família de Edmara Damas e Gabriela Gomes


Na família da empresária Edmara Buda de Paula Damas questões relacionadas à sexualidade jamais foram um tabu. Ela sempre se relacionou com homens e teve três filhos frutos de dois relacionamentos heterossexuais. Se algum deles seria gay ou lésbica nunca foi motivo de preocupação. "Eu falava para os meus filhos que se quisessem namorar menino ou menina, não teria problema. Sempre disse que o importante era que tivessem bom caráter e fossem honestos."

Depois de se separar, Edmara descobriu-se lésbica. Encontrou no ex-marido um confidente e um parceiro que a apoiou desde o início. "Ele foi a primeira pessoa a saber quando me descobri homossexual. Isso sempre foi muito natural para a gente."

E foi assim, com muita naturalidade, que ela apoiou a filha mais velha, a estudante Gabriela Yasmim de Paula Gomes, 18, também lésbica. "Não teve o momento de contar para a minha mãe. Eu achava que fazia as coisas escondida e ela sabia de tudo. Para a minha mãe era muito tranquilo. Ela saiu primeiro do armário e pegou todo o baque inicial. Então, quando eu saí, já estava tudo liberado", conta a adolescente.

"Ela tinha mais medo do pai do que de mim", relembra Edmara. O pai, depois de saber que Gabriela é lésbica, diz que aceita, mas não quer que ela se exponha com a namorada, mesmo sabendo que o casal já vive junto. "Dói porque ao mesmo tempo em que ele fala que não tem problema, ele não demonstra isso", diz a estudante. "O pai dela diz que o problema era a minha influência sobre a Gabriela", comenta a mãe.

Para Gabriela, a dificuldade maior é se assumir diante da sociedade. "Não gosto que todo mundo saiba. É muito estranha essa relação comigo. Estou no armário para mim. Mas com os outros, com o mundo, se alguém vier falar alguma coisa, a primeira pessoa que me defende é minha mãe. É uma mãezona", diz.

"A partir do momento que meus filhos souberam que eu era lésbica, tanto fazia para mim a opinião dos outros e fui criando os três dizendo que poderiam namorar quem quisessem. Sou discreta porque sou uma pessoa discreta, mas não escondo. Sou noiva há sete anos e vou casar no civil em janeiro", conta Edmara. "A Gabriela é que está nesse impasse 'me assumo, não assumo', 'saio de mãos dadas ou não?'."

A forma natural de lidar com a própria sexualidade e a dos filhos transformou a casa de Edmara em ponto de acolhida. "Como lá em casa é uma casa de homossexuais, os adolescentes sempre vieram. Aparece um monte. Chega um e eu digo 'nossa, mas você também?', diverte-se a empresária. "Muitas mães chegam para conversar, perguntam como é, perguntam sobre mim."

A dificuldade de Gabriela em mostrar ao mundo sua orientação sexual está mais relacionada à precaução com sua segurança. Mãe e filha compartilham do medo da violência resultante da homofobia. Por isso decidiram militar juntas pela causa. "Queremos mostrar para a sociedade que os nossos filhos têm família, mãe, pai, irmãos, primos, melhores amigos. Não são filhos de chocadeira. Quando você não aceita o seu filho e o joga para o mundo, você autoriza a sociedade a também fazer o que quer com ele e não aceitá-lo. Onde minha filha não couber, eu não entro também", destaca Edmara. "A violência tira o sono da gente em qualquer situação, mas quando a gente tem um homossexual na família, você se sente na berlinda o tempo todo."(S.S.)

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