Empresa sugere trabalho especializado
Mário CesarRicardo Israel Correa, gerente da multinacional SonocoO gerente da Sonoco do Brasil, Ricardo Israel Correa, reclama da falta de empresas especializadas na coleta seletiva de materiais reclicáveis, fato comum em países desenvolvidos. ‘‘Catador de papel eu só conheço no Brasil’’, comenta. A Sonoco é uma multinacional existente em 33 países e 100 anos de existência, especializada na reciclagem de papel.
No Brasil são sete fábricas, sendo que a unidade de Londrina, instalada na zona norte da cidade, recicla papelão e produz tubos destinados ao mercado de embalagens de alimentos, além de outros setores como a construção civil. ‘‘A gente não derruba árvores, nosso produto é feito 100% com papel reciclado’’, afirma Correa.
O gerente industrial da empresa, Otávio Baleotti, reclama da qualidade na coleta e na maneira de armazenar o produto, o que compromete a reciclagem. Baleotti avalia que os catadores são explorados e vivem num mercado marginaliziado. ‘‘O nível de instrução do pessoal é ruim, é um mercado meio marginalizado. Somente as indústrias têm eficiência nessa seleção’’. O gerente da Sonoco afirma que geralmente o dono do depósito recebe até três vezes mais do que paga aos catadores. Ele diz ainda que a falta de uma coleta seletiva prejudica o reaproveitamento dos materiais. ‘‘O lixo orgânico impede a eficiência do processo. Grande parte desse material vai parar no lixão onde há um grande índice de contaminação’’, comenta.
Em Londrina, a Sonoco processa mensalmente 2.600 toneladas de papelão e produz 1.900 toneladas de tubos mensalmente. Otávio Baleotti explica que no ano passado a desvalorização do Real provocou uma alta ‘‘vertiginosa’’ no papelão. Segundo ele, isso ocorreu porque a retomada das exportações provocou a falta de material no mercado. ‘‘O aumento foi de 110% de janeiro a julho’’. Em Londrina, a empresa trabalha apenas com dois grandes depósitos em razão da qualidade do produto existente no mercado. (Lino Ramos)

mockup