Empresa promete solução para minimizar enchentes
Toda vez que enchentes atingem cidades brasileiras, tragédias se repetem. São mortes e destruição com datas e locais já conhecidos pelos governantes e pela população. Os governos gastam muito dinheiro para reconstrução de áreas prejudicadas e prometem investir em prevenção. Levando tudo isso em conta, uma empresa incubada na Universidade Estadual de Londrina (UEL) busca investimentos para tocar adiante o desenvolvimento de um equipamento para captação e infiltração de água pluvial no solo em ruas, quintais e áreas rurais e industriais.
Os inventores argumentam que o sistema com bueiros e galerias é ineficiente e que a alta impermeabilização do solo impede a infiltração da água. Eles asseguram que o equipamento é capaz de sugar a água da chuva, que, infiltrada, revigoraria os mananciais.
Batizado de Acqua Conte, o aparelho, a ser enterrado no solo, é um tubo feito de anéis de PVC que poderá ter até 3,50 metros de altura e 80 centímetros de diâmetro, além de dois canos para entrada da água, inclusive com barreira para evitar detritos.
"Com uma chuva de 70 milímetros em uma área de 300 metros quadrados, a capacidade de infiltração do equipamento é de 1.800 litros", diz o inventor Armando Conte. A ideia é fabricar o equipamento em três tamanhos diferentes e em material não poluente.
A equipe responsável pelo projeto quer convencer gestores públicos a adotar o infiltrador como solução para prevenção de alagamentos. O plano da empresa para 2016 é justamente contatar órgãos públicos, além de buscar investidores e parceiros e concorrer a editais de fomento. A previsão é concluir a fase de testes no primeiro semestre deste ano. Também neste ano, o protótipo do infiltrador deve ser instalado na UEL ou em outro ponto de Londrina.
Embora a empresa veja potencial de mercado no poder público, os inventores também sonham alcançar o consumidor final, por meio de vendas diretas ou de lojas de materiais de construção. Eles destacam que desmontado o infiltrador cabe em uma caixa que poderá ser enviada pelos Correios. Como a ideia ainda não foi efetivamente concretizada, não é possível informar custo de produção e preço do infiltrador, que vem ganhando cada vez mais visibilidade ao ser apresentado em eventos da área de inovação.
Mestre de obras e técnico em edificações, Armando Conte afirma que a experiência adquirida no seu trabalho embasou a invenção, cujo processo de patenteamento está em tramitação no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi) desde 2013.
Selecionado pela Agência de Inovação (Aintec) da UEL no final de 2014, o projeto passou pelos primeiros testes em 2015, os quais comprovaram que, com o infiltrador, a água é absorvida até quatro vezes mais rápido do que em solo em que o equipamento não está instalado.
"Pelos testes que já efetuamos até agora, os resultados são bastante promissores. No entanto, precisamos ainda testar em outros tipos de solo para verificar se os resultados serão os mesmos", diz Ederson Amgarten, consultor técnico de negócios do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) que acompanha o projeto.
De acordo com Rose Conte, também inventora do infiltrador, a estimativa é que sejam necessários ao menos R$ 150 mil para conclusão dos testes. Até o momento, as atividades do projeto foram bancadas por um socioinvestidor. (M.F.)





