O professor e consultor Marciano de Almeida Cunha argumenta que hoje a carreira no setor público já não se mostra tão atraente, pois há dificuldade para reter funcionários jovens.
"A carreira pública tem uma verticalidade. Se o candidato é aprovado para um cargo que exige Ensino Médio, só pode progredir dentro disso. A progressão é somente horizontal, com incorporação de gratificações, tempo de serviço... Muitos ‘concurseiros’ vão tentando outros cargos, em outros órgãos do poder público, especialmente federais. Nesse movimento, é possível questionar o comprometimento com a empresa pública. Por exemplo, uma pessoa de Curitiba vai tentar um cargo federal em Roraima apenas porque o salário é mais alto", afirma.
Cunha vai além e questiona a propalada estabilidade na carreira pública. "Que estabilidade é essa? É financeira? De carreira? Psíquica? Vejo muitas pessoas insatisfeitas afastadas do trabalho no serviço público por problemas psíquicos, o que gera uma queda de produtividade no setor", argumenta.
O professor acredita que a geração que entra agora no mercado de trabalho vai provocar uma mudança de perspectiva na criação de empregos no País. "A próxima virada não será a busca pelo emprego público ou privado, mas por abrir o próprio negócio", diz. "Já temos hoje um movimento grande da juventude na área de startups. A geração Y ainda é conservadora em relação à carreira. Mas essa geração tecnológica, que nasceu entre o final dos anos 1990 e início dos 2000 e hoje está com 14, 15 anos, tem uma mentalidade diferente. E as escolas estão estimulando essa educação empreendedora, o que é muito positivo." (F.G.)

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