Em Maringá, 400 esperam por redução de estômago
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sábado, 09 de junho de 2001
Marcos ZanattaDe Maringá 
A intenção da Secretaria de Saúde de Maringá de voltar a bancar cirurgias de gastroplastia (redução do estômago) não deve reduzir a fila de pacientes que aguardavam atendimento pelo SUS. São mais de 400 potadores de obesidade mórbida cadastrados aguardando a cirurgia. O Município pretende liberar em torno de R$ 10 mil por mês para o procedimento, garantindo o atendimento a pelo menos quatro pacientes no mesmo período. Mesmo que o sistema não cadastre mais nenhum interessado, a estimativa é que serão mais de 10 anos para atender a demanda.
A cirurgia de obesidade chegou a ser realizada em Maringá pela Secretária Municipal de Saúde de abril de 1999 a março do ano passado, quando foi suspensa por falta de recursos. Em agosto, o Ministério da Saúde credenciou o Hospital Universitário (HU) para realizar o procedimento pelo SUS. A portaria que credenciava o HU tinha falhas técnicas e apenas duas cirurgias foram realizadas, explica o secretário de Saúde de Maringá, Paulo Roberto Donadio.
Desde então, o Município e o HU vêm tentando restabelecer a parceria com o ministério para a volta da cirurgia. Como a decisão está demorando, o Conselho Municipal de Saúde concordou em prosseguir com os procedimetos dentro das condições da prefeitura, diz o secretário. A expectativa é que o ministério volte a credenciar o HU. Mesmo com o SUS financiando a operação, a média de pacientes atendidos não deve sofrer alterações.
Segundo Donadio, o HU não tem estrutura para atender mais que três ou quatro pacientes de gastroplastia por mês. São pessoas com peso muito acima da média, que necessitam de acomodações especiais, explica. Ele diz que a prioridade de quem vai fazer a cirurgia é dos pacientes que apresentam problemas de saúde, decorrente do excesso de peso. Sabemos dos resultados que o procedimento traz ao obeso e ao sistema público de saúde, mas dependemos de disponibilidade de recursos, argumenta.
Apesar da retonada da gastroplastia reduzir a fila dos obesos mórbidos, a Secretaria de Saúde não sabe como lidar com pacientes que necessitam de cirurgia vascular. A fila tem mais de 250 pessoas e não anda, já que poucos médicos se habilitam a realizar o procedimento pelo SUS. Por causa dos preços, justifica Donadio. Hoje, apenas os casos de emergência, com risco de vida, são atendidos.
Existem médicos credenciados, mas nenhum aceita o valor de R$ 211,00 a R$ 280,00 pela cirurgia. O SUS paga ainda de R$ 362,00 a R$ 431,37 pelos exames e internação hospitalar. O valor considerado baixo na rede particular. O pior é que sem a cirurgia o risco de complicações, como a trombose, que pode matar, é muito grande, lamenta o secretário. Alguns pacientes aguardam na fila desde 1998.


