Em Londrina, demanda por serviço triplicou
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sábado, 03 de maio de 2014
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Crianças e adolescentes com indícios de transtornos mentais ou sintomas emocionais muito intensos são atendidos, em Londrina, pelo Centro de Atendimento Psicossocial Infantil (Caps 1), na Vila Nova, região central.
Conforme a psicóloga Rosana Dezotti Dantas, coordenadora do Caps 1, a procura pelo serviço triplicou nos últimos cinco anos, motivada pela falta de cuidados familiares e por uma "sociedade doente" que, segundo ela, valoriza o prazer imediato e o consumismo, o que acaba por gerar problemas emocionais nos mais jovens. Mensalmente, são realizados aproximadamente 300 atendimentos.
O Centro mantém "as portas abertas" para todas as famílias que julgam necessitar de cuidados. O acolhimento, porém, não significa que todos vão receber atenção continuada. "Acolhemos a todos e buscamos entender a situação. Entram para atendimento apenas as situações mais graves", informa, esclarecendo que o critério depende da análise dos sintomas apresentados. "Observamos a intensidade, a frequência, as condições da família e os prejuízos que a criança ou adolescente está tendo na vida", explica.
Os pacientes chegam encaminhados pelas unidades básicas de saúde (UBS), Vara da Infância e Juventude, Conselho Tutelar, serviços de assistência social, escolas e também por procura espontânea.
Como o município não tem um serviço próprio para atender os casos considerados mais leves ou moderados, as pessoas nestas situações são encaminhadas para instituições parceiras, como entidades e cursos de psicologia das universidades. "A saúde pública não comporta atendimento terapêutico de psicologia", acredita.
Diante do aumento na demanda, Rosana defende que a cidade poderia ter mais um Caps infantil, de preferência localizado em outra região. Enquanto a ampliação no atendimento não ocorre, a solução encontrada foi reorganizar o serviço para dar conta de todos que o procuram.
A coordenadora pretende implementar, em breve, atendimento temporário das famílias com dificuldades em lidar com crianças e adolescentes. "Será principalmente para as pessoas que não ficarão inseridas no serviço", esclarece. Além disso, o Caps 1 tenta organizar um atendimento mais intensivo para os pacientes em crise, o que demanda respaldo médico.
Hoje o local conta com apenas uma psiquiatra para atender a todos. "Com a finalização do concurso, receberemos outra profissional", anuncia. A única especialista atualmente cumpre uma carga horária de 20 horas semanais. Além disso, uma pediatra fica disponível para o serviço por oito horas semanais. "A proposta é que consigamos ter um médico o dia todo", adianta.
Leitos de internação
A equipe é composta ainda por cinco psicólogos (um em licença médica), dois assistentes sociais, uma terapeuta ocupacional, uma psicopedagoga, uma fonoaudióloga, um educador físico, uma educadora artística, uma enfermeira e um técnico de enfermagem. "A equipe é boa diante da realidade, por isso, acredito que a ampliação da estrutura existente não é tão necessária quanto a instalação de outro Caps infantil na cidade", reforça.
Com relação aos leitos de internação, Silvana Valentim, coordenadora de todos os Caps de Londrina, esclarece que existem seis vagas disponíveis para pacientes com mais de 12 anos em uma instituição conveniada do município. Os seis leitos, três femininos e três masculinos, são divididos entre adolescentes com transtornos mentais ou dependência de álcool e outras drogas. Crianças mais nova, via de regra, são preferencialmente protegidas junto com a família, através de visitas domiciliares até a situação se estabilizar.


