A bióloga e chefe da Divisão de Zoonoses da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), Giselia Burigo Guimarães Rúbio, reforça que os animais atacam quando sentem-se ameaçados ou para defender seus iguais. Ela chama a atenção para os ataques de aranhas marrons (do gênero Loxosceles sp), que lideram os acidentes com animais peçonhentos em Curitiba e Região Metropolitana. "Esta é a região onde há mais ocorrências com este tipo de aranha no planeta." A maior frequência de acidentes nesta época é explicada pelo comportamento das aranhas nos dias mais quentes - elas saem de seu abrigos originais em busca de alimentos e refugiam-se principalmente atrás de móveis, restos de construção, dentro de calçados, roupas.

"É preciso mudar os hábitos, como adotar limpezas mais cuidadosas dentro de casa, com uso de aspirador de pó; evitar guardar entulho; chacoalhar as roupas antes de vestir; olhar dentro dos sapatos; vedar possíveis frestas na casa e, ao mexer em locais que possam ser esconderijo das aranhas, usar luvas, botas, roupas que protejam braços e pernas", recomenda a bióloga, lembrando que são registrados cerca de 2 mil acidentes com aranhas marrons por ano em Curitiba e Região Metropolitana.

De acordo com Giselia, a princípio a picada da aranha marrom pode passar despercebida. Com o passar das horas surge uma mancha vermelha e um ponto escuro. De oito a dez horas depois, o local começa a ficar dolorido e a vítima começa a sentir um mal-estar geral, além de dor de cabeça. O serviço médico deve ser procurado o mais rápido possível. "Quanto mais a pessoa demorar para procurar orientação médica, maior a gravidade da lesão", alerta a bióloga da Sesa. Segundo ela, há grande incidência de acidentes com este tipo de aracnídeo também na região de Irati, Ponta Grossa, Guarapuava, União da Vitória, Pato Branco e Jacarezinho.

"Na região de Jacarezinho a espécie mais comum é a Loxosceles gaucho, que causa envenenamento sistêmico de maior gravidade e é geralmente encontrada fora de casa", observa Giselia, detalhando que o veneno pode levar à insuficiência renal e, em casos mais graves, ao óbito. Nesta época de viagens, é preciso atenção redobrada ao retornar para casa, principalmente se houver roupas espalhadas. A qualquer sintoma, é preciso procurar assistência médica o mais rápido possível.

Depois das aranhas marrons, os animais peçonhentos que mais protagonizaram acidentes no Estado nos últimos anos foram as lagartas do gênero Lonômia sp (lagarta-de-fogo), seguidas das serpentes, abelhas e escorpiões. No caso das serpentes, a chefe da Divisão de Zoonoses da Sesa afirma que os dois grupos que mais causam acidentes no Paraná são os da jararaca e da cascavel. "As maiores vítimas são os agricultores, mas quem for acampar, nesta época, tem que estar muito atento. É preciso evitar instalar-se perto de ocos de árvores e de barrancos, onde os ninhos são mais comuns", aconselha.

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