Em busca do documento, depois de anos sem registro
A carteira de trabalho foi criada em 1932. Ela reflete a carreira do trabalhador e sua evolução profissional. Nos seus registros internos estão asseguradas as garantias dos direitos trabalhistas e previdenciários de cada trabalhador.
Na subdelegacia do Ministério do Trabalho em Londrina, que libera perto de 1.500 novas carteiras de trabalho por mês, a movimentação é constante. Nos rostos de cada um o mesmo desejo: conseguir uma colocação no mercado de trabalho cercada de todas as garantias legais.
O desempregado Júlio Marino, de 20 anos, conta que trabalhou desde os quinze anos como balconista, sempre sem ser registrado. Nesta semana, ele finalmente pegou sua carteira de trabalho e agora espera ter mais sorte no mercado formal. Fiz um acordo com o meu ex-patrão e consegui receber. Só não tive direito ao seguro desemprego porque não era registrado. Para gente que é humilde, qualquer quantia de dinheiro que conseguimos já ajuda, afirma.
A primeira coisa que fez depois que pegou a carteira de trabalho foi se dirigir até a agência do Sistema Nacional de Emprego (Sine), em Londrina, para fazer uma ficha de emprego. Com a carteira, acho que agora vai ficar mais fácil.
O amigo de Júlio e também balconista André Luiz Quintana, 20 anos, tem as mesmas expectativas com relação às suas atuais possibilidades no mercado de trabalho com a carteira de trabalho. No seu antigo emprego, ele só ouvia promessas. Durante os quatro anos em que trabalhei (como balconista), o meu ex-patrão dizia que iria me registrar, só que isso nunca aconteceu, reclama.
Já o desempregado Claudionor da Silva, de 23 anos, sentiu na pele o que significa a falta de registro em carteira. Ele trabalhava numa serraria e foi vítima de acidente de trabalho leve quando operava uma serra elétrica. Machuquei a mão e tive que continuar trabalhando porque precisava do emprego.
Agora, com a carteira, ele espera ter mais garantias. A carteira é boa por causa da segurança que ela dá. Pelo menos vou ter direito a alguma coisa. Claudionor diz que não procurou o Ministério do Trabalho antes porque trabalhava no sítio e não sobrava tempo para se deslocar até a cidade atrás do documento. (L.A.)





