Em Arapongas, inclusão ocorre na prática
PUBLICAÇÃO
sábado, 24 de agosto de 2013
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Na Escola Municipal Padre Germano Mayer, em Arapongas, a inclusão de alunos com necessidades especiais já é uma realidade. Com apoio da Secretaria Municipal de Educação, o colégio mantém desde 2006 um amplo projeto de inclusão, que começou com deficientes auditivos e hoje atende também crianças com autismo, síndrome de asperger e baixa visão.
Em 2009, quando a Folha fez uma reportagem sobre os bons resultados obtidos pela escola nesta área, todos os 380 alunos tinham aulas de libras (linguagem brasileira de sinais) para facilitar a comunicação com as crianças surdas. Antes disso, para se prepararem para o desafio de encarar as diferenças entre os alunos, professores e equipe pedagógica fizeram uma pós-graduação em educação especial na própria escola.
Alunos como Mariana Pavezzi, que completa 8 anos nesta semana, agradecem a dedicação dos professores. Diagnosticada com autismo, ela recebeu apoio do professor Rodrigo de Abreu (que até ano passado exercia a função e hoje é supervisor da escola), fez grandes avanços e se alfabetizou na idade certa. Atualmente, ela continua recebendo apoio da professora Lucimeire Pagan Penedo.
Quem conta a história de Mariana é a mãe dela, a professora Maria Angélica Ceciliano Pavezzi, que também é mãe da Juliana, de 16 anos. Ela revela que até os 2 anos e meio, a filha caçula tinha um comportamento considerado "normal" para as crianças da idade. De repente, a menina parou de falar, interagir ou aceitar carinhos da família, o que acendeu uma luz de preocupação na cabeça dos pais. "Procuramos um pediatra, mas ele disse que éramos ansiosos e que não havia nada de errado com a Mari. Não nos contentamos com a avaliação e procuramos um neurologista, que identificou o autismo", relata.
Sem saber o que fazer, ela recebeu do profissional o conselho de "deixar a Mariana em casa e dar muito amor". Novamente descontentes, trocaram de médico, passaram a pesquisar sobre o assunto e a investir em um acompanhamento multidisciplinar que inclui psicologia educacional, fonoaudiologia, fisioterapia e equoterapia.
Quando Mariana tinha 5 anos, foi matriculada na escola Padre Germano Mayer e o professor Rodrigo entrou em sua vida. "No primeiro ano, conheci a aluna, trabalhei a socialização e ganhei a confiança dela. Um aprendeu com o outro", relembra ele. No ano seguinte, ao iniciar o processo de alfabetização, ele sentiu dificuldades em encontrar um método eficiente. Incentivado pela família de Mariana, que inclusive colaborou financeiramente para aquisição de materiais didáticos específicos, ele fez um curso na Associação Amiga do Autista (AMA), em São Paulo. "Entendi como devia trabalhar e até adaptei os conteúdos para o computador, pois a Mariana gosta muito de informática", conta.
Para Angélica, o sucesso do desenvolvimento da filha é resultado de uma soma de fatores que incluem políticas adequadas da Secretaria Municipal de Educação, uma escola eficiente no processo de inclusão, um professor bem preparado e dedicado e o apoio e investimento da família no acompanhamento multidisciplinar.
Ela elogia, inclusive, a postura dos colegas de Mariana, que foram preparados pela equipe pedagógica para receber a nova amiga. "As crianças são muito receptivas, porque houve um trabalho anterior de conscientização. Os próprios colegas cuidam e ajudam a Mari", diz.
O professor Rodrigo concorda com a opinião de Angélica e reforça que a inclusão dá certo quando o aluno tem acesso à estrutura multidisciplinar formada por profissionais de saúde. "A inclusão não exclui a necessidade de acompanhamento por outros profissionais", defende.


