Colorado - Fim de tarde em Colorado (Norte) e Paulo Delazari e José Cândido estão sentados na varanda da casa do primeiro. Uma tempestade se aproxima. Chuva e trovoadas não trazem boas lembranças para Delazari nem para Cândido, que tem algo em comum: ambos foram atingidos por raios e sobreviveram.
Em Colorado não é difícil ouvir histórias relacionadas a raios. A cidade de 22 mil habitantes e 404 quilômetros quadrados possui a maior média de incidência de raios no Paraná e é a 28 no Brasil, num ranking com mais de 3 mil municípios. Os dados são do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e abrangem o biênio 2009-2010.
Segundo o órgão, Colorado possui uma densidade de 13,6 raios por quilômetros quadrado ao ano, o que resulta em aproximadamente 5.252 ocorrências por ano. Mas o que faz da cidade um ''atrativo'' para descargas elétricas? O Elat não sabe. ''Não temos uma explicação pontual para Colorado, ainda mais considerando que é um município menor e com baixo índice de urbanização e industrialização'', informou o órgão.
Outras cidades vizinhas a Colorado também apresentam alta incidência de raios. Guaraci é a vice-líder estadual com 12,3 raios/km/ano e Itaguajé a quarta com 10,5 raios/km/ano. Completam a lista das cinco primeiras Matinhos (Litoral), com 10,7, e Barbosa Ferraz (Centro), com 10,2. Em todo o Paraná, o Elat estima que 1,03 milhão de raios atingiram o solo do Estado em 2010.
Os dados de descargas atmosféricas foram obtidos pela Rede Brasileira de Detecção de Descargas Atmosféricas (BrasilDAT).
Mortes
Apenas neste ano pelo menos duas pessoas morreram atingidas por raios no Paraná. A primeira morte foi em Paranavaí (Noroeste), no dia 16 de fevereiro. A vítima foi um adolescente de 16 anos foi atingido por um raio quando saiu do carro para procurar abrigo em uma plantação de laranja.
A outra morte ocorreu em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, seis dias depois, quando um homem foi atingido no meio da tarde, enquanto caminhava pela rua.
Desde 2000, 89 pessoas morreram no Paraná vítimas de descargas elétricas, de acordo com levantamento do Elat. Em todo o País foram mais de 1.397 mortes de 2000 a 2010. Segundo o Elat, o Paraná não possui uma taxa grande de mortes em comparação a outros Estados. Tocantins apresenta a maior probabilidade, com 4,3 mortes por milhão de habitantes. O Paraná registra 0,8 por milhão, a mesma média do País. Em números absolutos, é o sexto Estado com mais vítimas. São Paulo lidera com 230 mortes.
O Elat não possui uma estatística oficial de vítimas não fatais de descargas elétricas. Mas um estudo feito nos EUA revela que para cada morte existem três sobreviventes, o que resultaria em aproximadamente 3 mil brasileiros nos últimos dez anos. No Paraná seriam 270, entre eles Paulo Delazari e José Cândido.

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