Colorado - ''Guardei durante anos a camisa com os botões queimados e a calça que também tinha o zíper queimado'', conta o advogado Paulo Delazari, que em novembro de 1988 foi atingido por um raio, em Colorado.
Naquela época, Delazari era candidato a vereador e a eleição se aproximava. ''Estava naquela correria de campanha, levantava cedo para fazer visita a eleitores''. Era por volta das 14 horas, quando Delazari foi atravessar um pasto acompanhado de outro candidato ''Não chovia, só tinha uma nuvem escura no céu, nem era muito grande. A gente estava quase chegando numa grande árvore, onde embaixo mais de 30 trabalhadores almoçavam'', recorda.
Do que aconteceu depois o advogado não se lembra. ''Só sei aquilo que me contaram.'' Quando o raio atingiu o advogado, Delazari sofreu uma parada respiratória. ''Os cabelos do peito, botão da camisa e zíper da calça queimaram'', conta.
''Eu acho que só sobrevivi porque estava a dois quilômetros do hospital e tinha um carro ali perto. Assim que fui atingido me levaram correndo e o médico me ressucitou. Minha primeira lembrança é acordar no hospital e um monte de gente a minha volta.''
Dias depois de ser ''escolhido'' pelo raio, o advogado foi eleito. ''Fui o mais votado, talvez o raio tenha ajudado. Também ganhei o apelido de Paulo Para-raios.''
Há uns três anos, Delazari teve um novo encontro com um raio. ''Eu estava em frente a uma concessionária em Maringá (Noroeste) e passava um rapaz de bicicleta. Eu vi o raio acertá-lo. Uma ambulância chegou rápido para prestar socorro e soube depois pelo jornal que ele sobreviveu'', relata.
Corpo pulava
José Cândido é coordenador da Defesa Civil em Colorado. Questionado se recentemente houve algum incidente envolvendo raios na cidade, ele garantiu que não. No decorrer da conversa, no entanto, soltou o seguinte comentário: ''uns três anos atrás um raio me acertou''.
De acordo com cálculos do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat), a chance de uma pessoa ser atingida por um raio é menor do que uma para 1 milhão. É mais fácil ganhar na loteria. No entanto, em campos abertos a possibilidade se torna mais real, podendo chegar a uma para mil.
Era novembro de 2008 quando Cândido ganhou o ''bilhete premiado''. Na época ele era técnico administrativo e cultivava pepino. ''Estava numa propriedade no Distrito de Alto Alegre. Era uma pequena horta, tinha até um sistema de irrigação. Estávamos eu e mais três companheiros quando começou a chover''.
Cândido e os amigos se protegeram da chuva debaixo de uma cobertura localizada ao lado da caixa d'água. ''Eu estava sentado em cima de uma mangueira enrolada. O raio caiu na caixa d'água, estourou o concreto e a ferragem. A descarga me atingiu. Meus companheiros foram arremassados, mas eu não. Me contaram depois que meu corpo ficava pulando por causa do choque, conforme batia no chão recebia a descarga. Acho que fiquei vivo só por causa da mangueira'', conta.
Pouco tempo depois Cândido entrou para a Defesa Civil. ''Muita coisa mudou no jeito que pensava. Hoje trabalho na prevenção'', sallienta.

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