Por ser réu primário, com endereço fixo e trabalho formal, jovem foi liberado
Por ser réu primário, com endereço fixo e trabalho formal, jovem foi liberado



Na audiência de custódia que a reportagem da FOLHA teve oportunidade de acompanhar nesta semana, um jovem de 24 anos obteve o benefício da liberdade provisória após ouvir palavras firmes do juiz da VEP, Katsujo Nakadomari, e do representante do Ministério Público que o acompanhava. Ele foi preso em flagrante após terem encontrado um carro roubado na casa que ele alegou ter emprestado a um amigo. Além disso, no local havia um pé de maconha.
Por se tratar de réu primário, com endereço fixo e trabalho formal, o rapaz foi liberado, não sem antes ouvir um sermão do promotor, que o advertiu sobre o risco de frequentar locais onde circulam drogas. Após liberar o acusado, o juiz destacou que, antes do projeto das audiências de custódia, uma pessoa na mesma situação poderia ficar até um mês preso até que a audiência de custódia se desenrolasse. "Neste período iria perder o emprego, ficaria na cadeia, qual a vantagem?", perguntou, lembrando que ele será julgado e pode ser condenado como qualquer outro suspeito de cometer crimes.
Na saída, o rapaz passou pelo atendimento do projeto Circulando a Liberdade. Bastante chocado com as algemas que o prendiam nas mãos e nos pés, contou à reportagem que ganhou o vaso de maconha de uma namorada, mas se conscientizou que foi um "vacilo". "Trabalho desde os 12 anos, nunca me imaginei nesta situação", lamentou ele, que agora passou a "ter passagem pela polícia" e, caso seja preso novamente, perde o benefício da liberdade provisória.
Apesar de assustado, ele se emocionou com o atendimento humanizado do promotor e do juiz. "Eles entenderam o meu lado, nunca imaginei isso", comentou, destacando que pretendia voltar ao trabalho e "ficar longe do caminho ruim". (C.A.)

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