A cada dois anos elas roubam a cena. Nas semanas que antecedem as eleições, milhares de brasileiros voltam suas atenções para as pesquisas de intenção de voto, que têm sido o principal termômetro do processo de escolha de novos governantes. São elas que, muitas vezes com alto índice de acerto, antecipam o resultado das urnas.
Os responsáveis por coletar os dados, organizá-los e apresentá-los afirmam que o processo amostral é o mesmo de anos atrás, o que melhorou foi sua aplicação. "A confiabilidade sempre existiu, mas hoje temos mais segurança e agilidade para divulgar os dados", afirma o diretor geral do Datafolha, Mauro Paulino, referindo-se ao uso de recursos tecnológicos para a coleta de dados.
"Atualmente o trabalho dos pesquisadores é georreferenciado e eles não usam mais papel e prancheta, e sim tablets. Com isso conseguimos acompanhar, a distância, o trabalho de todos eles e as informações também são transmitidas em tempo real. Com isso ganhamos tempo para a conferência", diz Paulino, revelando que o Datafolha está começando a testar o uso de um sistema que simula a urna eletrônica.
O diretor-executivo de Opinião Pública, Política e Comunicação do Ibope Inteligência, Helio Gastaldi, concorda com os avanços e revela que o instituto também adotou os tablets para a coleta de dados.
"Essa mudança traz grande agilidade às pesquisas, além de mais segurança às informações coletadas. Porém, a metodologia utilizada permanece a mesma." Gastaldi ressalta que os resultados das pesquisas, sejam elas feitas de forma digital ou em questionário de papel, sempre refletem o que os pesquisadores encontram na interlocução com os entrevistados e independem dos interesses de quem os contrata.
Sobre diferenças de resultados, Mauro Paulino explica que cada instituto tem uma margem de erro, o que muitas vezes causa confusão para o eleitor. "Às vezes a diferença não existe ou, se existe, não é tão grande como parece. É difícil para as pessoas entenderem que o número que divulgamos não é exato, que há um fator estatístico envolvido."
Para o diretor estatístico do Multicultural Instituto de Pesquisa, de Londrina, Edmilson Vicente Leite, a pesquisa eleitoral tem a vantagem de oferecer resultado imediato e com grande índice de acerto. Ele explica que elas são feitas em três modalidades: tracking (monitoramento diário, com entrevistas por telefone); quantitativa (realizada a cada 10 ou 15 dias, com amostra maior de entrevistas) e qualitativa (onde o objetivo é mensurar o impacto da campanha na população e as expectativas que ela tem em relação ao candidato, e não o posicionamento quanto às intenções de voto). São as pesquisas qualitativas que norteiam, por exemplo, o conteúdo dos programas de TV.
Leite afirma ainda que a atual legislação conferiu maior transparência e credibilidade às pesquisas. "Em 1997 o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) regulamentou vários pontos da campanha eleitoral, entre eles a exigência de registro das pesquisas. A partir daí, a população passou a ter acesso a todas as informações da pesquisa e saber como ela foi feita", explica o matemático, referindo-se à Lei 9504/97.
Segundo informações do Datafolha, para conhecer o que uma determinada população acha sobre algo ou como se comporta diante de alguma coisa, basta ao pesquisador observar uma parcela com as características representativas desta população. O instituto defende que não há tamanho mínimo ou ideal para uma amostra eleitoral - o mais importante é a sua representatividade, ou seja, como são selecionados os entrevistados. O Ibope Inteligência também considera que o tamanho da amostra não determina se ela é de boa ou de má qualidade, e afirma que as várias regiões geográficas devem aparecer na amostra em proporção muito próxima à da população pesquisada.

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