Eleições - 'Azarões' contrariaram sondagens
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sábado, 20 de setembro de 2014
Silvana Leão<br>Reportagem Local 
Nos últimos anos, as campanhas para prefeito de Londrina foram marcadas por mudanças inesperadas na reta final do processo eleitoral. Consideradas casos incomuns, foram acompanhadas de perto pelos institutos de pesquisa, mas nem sempre fielmente retratadas nos resultados destas consultas feitas por amostragem. Em 2000, quando Nedson Micheletti (PT) candidatou-se pela primeira vez a prefeito de Londrina, manteve-se com baixa intenção de votos na maioria das pesquisas e teve pouca divulgação pela mídia, mas surpreendeu na reta final, conseguindo sua primeira vitória.
Consulta do Ibope de intenção de voto estimulada realizada em 20 de agosto daquele ano mostrou que Nedson era citado por 4% dos eleitores. Um mês depois o índice havia subido para 9%. Na véspera do primeiro turno, realizado em 1º de outubro, o instituto mostrava que o petista detinha 20% das intenções de voto. Mas ao final da apuração das urnas, Nedson havia cravado 27% dos votos, igualando-se a um dos candidatos favoritos, Homero Barbosa Neto (PDT).
Beneficiado pelo desejo de mudança do eleitorado londrinense, que assistira em junho daquele ano à cassação pela Câmara de Vereadores do então prefeito Antonio Belinatti, Nedson manteve-se na liderança das pesquisas realizadas nas semanas seguintes. No dia 19 de outubro o Ibope mostrava que ele já detinha 59% das intenções de voto, contra 29% de Barbosa. 10 dias depois, data do segundo turno, o petista obteve 64% dos votos. Barbosa Neto conseguiu chegar a 36%.
A FOLHA procurou o ex-prefeito Nedson Micheletti, hoje consultor da presidência da Caixa Econômica Federal em Brasília, para comentar os resultados das pesquisas e os votos apurados nas urnas, mas ele não foi localizado.
Outro caso emblemático em Londrina foi o da última eleição municipal, realizada em 2012. A pouco mais de um mês do 1º turno, marcado para 7 de outubro, o então candidato Marcelo Belinati (PP) não apenas aparecia como favorito como, de acordo com levantamento feito pelo Instituto Portinari, encomendado pela Rádio Paiquerê AM, deveria ganhar já no primeiro turno, com 54,7% dos votos válidos. Alexandre Kireeff (PSD) aparecia com 7,1% das intenções de votos.
Nas semanas seguintes, porém, Kireeff começou a se destacar como opção de mudança na política e conquistou 25,27% dos votos, indo para o segundo turno ao lado de Belinati. Dali para frente, as pesquisas passaram a mostrar para Kireeff um aumento médio de 0,5% por dia nas intenções de voto. No dia marcado para o segundo turno, em 28 de outubro, a expectativa era por um empate técnico entre os dois candidatos. Kireeff acabou eleito com 50,53% dos votos válidos.
"Nunca apareci como vencedor em uma pesquisa eleitoral. No primeiro turno, para se ter uma ideia, na véspera do primeiro turno, à noite, eu aparecia na pesquisa do Ibope com 18% das intenções de voto. No dia seguinte fiz 25%", afirma o prefeito de Londrina. Apesar da surpresa, ele diz acreditar que o resultado das pesquisas influenciem a decisão do eleitor. "Não digo que as pesquisas são determinantes, mas podem sim influenciar e potencializar candidaturas", defende Kireeff.
Uma ferramenta legítima de aferição da intenção do eleitorado, mas que precisa de aperfeiçoamentos na forma de realização e divulgação. Esta é a visão do professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Sérgio Braga, em relação às pesquisas eleitorais.
Ele alerta que, por suas limitações, estes levantamentos não devem ser hipervalorizados, como muitas vezes acontece com a proximidade das eleições. "Como são feitas muito rapidamente, as pesquisas eleitorais estão sujeitas a erros. Elas geralmente são feitas para atender a demandas de veículos de comunicação e partidos políticos, com amostras nem sempre adequadas, que superdimensionam determinados setores do eleitorado com mais disponibilidade de responder", argumenta Braga.
O cientista político afirma que as pesquisas são um importante parâmetro para os candidatos elaborarem suas estratégias. Neste aspecto ele admite que elas podem influenciar, mesmo que indiretamente, o resultado do processo eleitoral. Diretamente, porém, o professor da UFPR acha que as sondagens têm pouco poder sobre o voto do eleitor. "Elas influenciam mais outros aspectos da campanha, como as decisões dos financiadores. A massa do eleitorado é influenciada por todo um conjunto, que inclui fatores de natureza pessoal e qualidade de vida da população." A vitória, vez ou outra, de candidatos que durante a maior parte do processo eleitoral não ficaram entre os favoritos é, segundo Braga, prova de que as pesquisas têm pouco poder sobre os votos.


