Em entrevista à FOLHA na semana passada, a esposa de Adão Barbosa Xavier, assassino confesso de Joseane, relatou nunca ter imaginado que o marido fosse capaz de estuprar e matar uma criança. ''Ele era violento comigo, mas era bom para os nossos filhos'', disse ela, que teve duas meninas e um menino com o acusado.
Do outro lado da tragédia, a mulher de 32 anos relata que o sentimento em relação aos fatos é de humilhação. Após ter de se mudar às pressas para proteger os próprios filhos, ela viu a casa onde morava ser queimada e, hoje, depende da ajuda de parentes e entidades assistenciais para sobreviver. ''As pessoas me tratam como se eu também tivesse culpa pela morte da menina'', lamenta.
A vida atual é marcada pela miséria. No dia em que conversou com a reportagem, ela juntava lenha para acender o fogo onde prepararia as refeições. ''Acabou o gás e não tenho dinheiro para comprar.'' Após ter tirado as crianças da escola por causa das ameaças que sofreram pelo parentesco com Xavier, ela perdeu o direito de receber recursos dos programas assistenciais do governo federal. ''Agora que elas estão em outra escola, quero ver se consigo voltar a receber'', planeja.
Diante de tantas necessidades materiais, ela confessa que chega a sentir falta do marido, a quem ainda não visitou na prisão. ''Quando ele estava com a gente, não faltava comida em casa'', recorda. A menina de dez anos que costumava brincar com Joseane revela que sente saudades do pai, que costumava presenteá-la com brinquedos e objetos encontrados nos materiais recicláveis.
Com sentimentos divididos, a garota conta que sente saudades, também, da melhor amiga, com quem passava horas de brincadeiras no antigo bairro. ''Lembro do dia em que a gente estava brincando com uma corda na pracinha e, sem querer, conseguimos fazer um balanço. Foi um dia muito legal.'' (C.A.)

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