No ano passado, as famílias de 595 mulheres paranaenses enfrentaram o mesmo drama que atingiu a vida da cozinheira Roseli Ferreira de Melo em novembro de 2011. No feriado da Proclamação da República, sua filha caçula, Jennifer, de 12 anos, morreu em um acidente na Rua Nicola Pellanda, no bairro Umbará, em Curitiba.

Roseli conta que a menina havia ido buscar uma pizza para o jantar. Jennifer e um amigo estavam em uma moto e foram atingidos por um carro, dirigido por um rapaz embriagado que participava de um racha. A cozinheira aponta que já teve um mau pressentimento diante da demora da menina em voltar para casa. "Foi me dando um desespero. Eu ligava no celular e ela não atendia. Depois veio a notícia", afirma. Jennifer foi arrastada por 80 metros. Chegou a ser atendida no Hospital do Trabalhador, mas morreu.

A cozinheira aguarda que seja marcado o júri do motorista. "Sei que não vai trazer ela de volta, mas ao menos traria um alívio. Em uma audiência, ficamos sabendo que ele continuava trabalhando como caminhoneiro. Não tinham cassado a carteira dele. Ele falou que não foi ele que matou, mas tem testemunha", diz Roseli.

"Dá uma revolta muito grande. Ele está por aí, colocando outras vidas em risco. Ele destruiu a minha vida. Eu não tenho mais saúde. Eu já era doente, tinha diabetes, outros problemas, com o nervosismo não consigo fazer mais nada. Não consigo mais dormir", desabafa.

Roseli passou por atendimento psicológico. Hoje, costuma frequentar as reuniões do Instituto Paz no Trânsito, onde conversa com outras mães que perderam filhos em acidentes. "Só uma mãe entende o que a outra passa", afirma. (F.G.)

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