Elas não se arrependem de ter deixado o trabalho
A pressão social para consolidar a carreira profissional levou a arquiteta Vani Ito, 36, a adiar até os 34 anos a decisão de ter filhos. Quando finalmente decidiu, escolheu também dar uma guinada radical na vida. Após o nascimento de Roger, atualmente com um ano e oito meses, ela parou de trabalhar para se dedicar integralmente ao filho. ''Não foi fácil. Sabia que estava cometendo uma espécie de 'suicídio' profissional'', opina.
Hoje, com planos de ter mais um bebê, ela se preocupa com as limitações impostas pela idade e admite que se arrependeu de ter esperado tanto para engravidar. Relata, também, que ao abrir mão da rotina de mulher independente e trabalhadora, viveu um choque quando passou a ficar o tempo todo em casa. ''Perdi toda a liberdade'', conta ela, que passou a participar de grupos de mães para trocar experiências. ''Me ajudou muito.''
Passado o período de adaptação à vida de mãe em tempo integral, ela não se arrepende da decisão. ''Queria ser mãe, e não apenas ter filhos'', justifica. A reação das pessoas ao fato de não trabalhar fora, entretanto, ainda incomoda Vani. ''Sinto um pouco de preconceito. É como se eu fosse uma 'dondoca' que ficasse em casa sem fazer nada''. É por isso que faz questão de deixar o filho sozinho com o marido por longos períodos de tempo. ''Quero que ele entenda como é a rotina de uma mãe'', explica. Além do plano de ter outro filho, ela pretende voltar a trabalhar quando não tiver mais bebês pequenos. ''Nem precisa ser na minha área, pois a intenção é ter mais independência.''
A jornalista Sheyla Borges de Freitas, 37, também não se arrepende de ter deixado o emprego de oito anos na Polícia Federal para cuidar do filho Murilo, hoje com dois anos e quatro meses. ''Quando ele nasceu, voltei ao trabalho durante dois meses e resolvi parar. Estava muito difícil conciliar tanta coisa. Amamentar era bem complicado.'' Com a decisão de ficar em casa com o filho, Sheyla conseguiu dar o peito até Murilo completar 11 meses.
Ela revela que sente-se privilegiada por ter podido fazer esta escolha e por ter recebido o apoio do marido, que é músico. Há nove meses nasceu Laura, que mamou exclusivamente no peito até os seis meses. ''Meus filhos sempre tiveram muita saúde. O Murilo só começou a ter gripes e resfriados quando começou a ir para a escola, aos dois anos.'' Laura também deve ficar em casa, sob os cuidados da mãe, até esta idade.
Por enquanto, Sheyla não pensa em voltar a trabalhar fora. ''No começo achei que sentiria falta da vida profissional, mas hoje me sinto realizada cuidando dos meus filhos. Não paro o dia inteiro. Acompanho de perto cada fase do crescimento deles, isto é muito bom. Sei como é importante para as crianças estar junto dos pais.'' Segundo a jornalista, a estrutura financeira que a família conseguiu criar enquanto ela e o marido trabalhavam permitiu que se adaptassem facilmente à nova realidade. (C.A. e S.L.)





