Escolas alfabetizadoras que reúnam apenas crianças de 6 a 9 anos, em salas pequenas, atendidas em período integral, com apoio de um assistente social e total envolvimento da família no processo de educação dos filhos. Este é o projeto elaborado pelo educador José Carani, de Cambé, para garantir a completa formação das crianças no período de alfabetização, que cria a base para todo o desenvolvimento educacional futuro.
O projeto, gestado há 20 anos, ganhou o respeito de dois educadores canadenses, Jorge Carani (que por coincidência tem o mesmo sobrenome) e Teresa Stroy-Wilson, que levaram a ideia da "escola da família" para o Canadá. Um artigo sobre o projeto do educador cambeense foi, inclusive, publicado na revista de educação canadense MJE. Eles também apresentaram a ideia em um congresso da área.
"Envolvimento da família não é só participar da reunião de pais", pontua José Carani, que defende a presença do assistente social para que a escola conheça a realidade de cada família e até mesmo interfira quando for necessário. "Também proponho a criação de associações de pais que sejam participativas", defende.
O modelo, segundo ele, é capaz de reduzir a desigualdade social do País. "A classe média vai confiar na escola pública e os mais pobres terão acesso a uma educação de qualidade. Pais de diferentes realidades vão ter contato para conversar sobre o mesmo assunto: a educação dos filhos", afirma.
Outra proposta é que as crianças utilizem o contraturno não apenas para realizar atividades lúdicas, mas para receber reforço escolar e aprender efetivamente os conteúdos. "Dessa forma a defasagem não acumula. A recuperação tem que ser feita no mesmo dia, para o aluno aprender o que foi dado."
Carani acredita que, desta forma, todas as crianças chegarão aos 9 anos perfeitamente alfabetizadas. "Nesta fase elas estarão prontas para uma escola maior", defende ele, que acredita também na viabilidade financeira do projeto. "São escolas pequenas que não exigem grandes investimentos."
O educador já apresentou o projeto das escolas alfabetizadoras para as secretarias municipais de Cambé e Londrina, e aguarda o retorno dos gestores.(C.A)

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