A microempresária Juliana Carvalho Lopes é mãe de Gabriela, quase 14, e Enzo, 11 anos. Um deles adora matemática, pretende fazer ensino médio técnico, faculdade de engenharia da computação e ter uma vida independente, com muitas viagens e sem necessariamente casar ou ter filhos.

O outro filho de Juliana planeja ter uma família tradicional, gosta de ajudar a mãe a cozinhar e sonha ser jogador de futebol ou professor de português ou ciências, as matérias preferidas na escola.

Ao contrário do que muitos possam imaginar, a fã de matemática que pretende estudar computação é Gabriela. O menino, por sua vez, tem mais intimidade com a área de "humanas" e, apesar do amor pelos esportes, gosta também dos livros e da língua portuguesa.

Para Juliana, ela própria criada em uma família que oferecia total liberdade para "falar sobre tudo", as preferências dos filhos não têm qualquer relação ao gênero de cada um deles. Em casa, guardada a diferença de idades, eles são criados do mesmo jeito, com as mesmas responsabilidades e oportunidades.

A educação baseada na igualdade reflete no comportamento de ambos. Gabriela, de personalidade independente, gosta de tecnologia e idealiza como "legal" uma vida em que possa trabalhar no que gosta e viajar bastante. Enzo, apaixonado por futebol, não compactua com o ambiente machista inerente ao esporte. "Acho errado quando separam meninas e meninos em um jogo. No meu prédio, a melhor jogadora é uma menina. Claro que eu sempre quero ficar no mesmo time que ela", diz. (C.A)

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