EDUCAÇÃO INFANTIL - Londrina tem oito mil na fila das creches
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domingo, 11 de novembro de 2012
Mariana Franco Ramos <br> Reportagem Local 
Em relação às creches, a situação das cidades paranaenses é ainda mais difícil. O Plano Nacional da Educação (PNE) prevê também que 50% das crianças de 0 a 3 anos sejam atendidas até 2020. A meta já estava prevista no plano anterior, que vigorou entre 2001 e 2010, no entanto, como não seria alcançada, precisou ser revista e esticada por mais dez anos.
Segundo a presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Cleuza Repulho, que é também secretária de educação de São Bernardo do Campo (SP), ainda que muitas famílias prefiram manter os filhos em casa até os 3 anos, as filas de espera costumam ser longas. ''Existem hoje dois 'gargalos' na educação brasileira: um é o ensino médio e o outro é justamente o acesso às creches. Esta é a modalidade em que o investimento precisa ser maior. Quanto mais a economia melhora, mais as mães vão para o mercado de trabalho e mais a demanda cresce'', explica.
Se o primeiro objetivo do PNE fosse mantido, somente 16 dos 399 municípios paranaenses o teriam alcançado. Campina do Simão (Centro-Sul) e Ivaí (Sudeste) são os que possuem os piores índices, com 0,43% e 0,88% das crianças de 0 a 3 anos matriculadas em creches, respectivamente.
A média estadual é de 26,21%, o que significa que 418.858 dos 563.537 garotos e garotas nesta faixa etária estão fora da escola no Estado. Nos maiores municípios a situação não é muito diferente. O índice é de 22,87% em Ponta Grossa, 26,26% em Cascavel, 28,97% em Londrina, 39,48% em Curitiba e 46,98% em Maringá.
O presidente do Conselho Tutelar (CT) Sul de Londrina, Mirko Sandro Bressanine, revela que o déficit de vagas na cidade é mesmo grande e que a tendência é que a fila aumente ainda mais nos próximos anos. ''O déficit oficial está próximo de cinco mil, mas acredito que a fila de espera hoje seja de mais de oito mil crianças. Como a prefeitura passará a absorver o quinto ano (antiga quarta série do ensino fundamental) em 2013, a situação só tende a piorar.''
Ele conta que o CT, um dos três existentes no município, recebe uma média de 15 a 18 solicitações de vagas em creches por semana. ''A maioria, por conta da demanda reprimida, acaba ficando sem solução.''
Na fila de espera
São casos como o da operadora de caixa Milena Ribeiro Batista, 21, que aguarda desde fevereiro uma vaga para o filho João Ricardo, de 3 anos. ''Eu me cadastrei na creche perto de onde moro, no Jardim Jatobá, mas me disseram que só tem vaga para o ano que vem'', conta.
Como precisa trabalhar, a jovem paga uma babá para ficar com a criança durante o dia. ''Não recebo pensão e preciso arcar com as despesas sozinha. É bem difícil. Já fui ao Conselho e eles fizeram o encaminhamento. Vi que muitas outras mães também foram lá, pegaram a carta e até agora não conseguiram'', diz.
A secretária de Educação de Londrina, Maria Inês Galvão de Mello, reconhece que os 17 Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) e as 63 creches filantrópicas hoje existentes na cidade não são suficientes para atender a todas as crianças de 0 a 5 anos. Segundo ela, a demanda reprimida (incluindo creches e pré-escolas) é de 4.100 vagas, menor do que a apontada pelo CT. ''A gente na verdade sabe dessa obrigatoriedade (de oferecer as vagas). Mas a rede municipal como um todo, considerando condições físicas e humanas, ainda não está preparada.''
De acordo com a secretária, as escolas estão fazendo neste momento a readequação para atender ao quinto ano em 2013, o que, acredita, também pode dificultar a absorção da demanda. ''Com a implantação do quinto ano, por conta da estrutura, algumas talvez tenham até que deixar de fazer o atendimento do EI 6 (a última etapa da educação infantil)'', afirma.
Em relação à universalização da pré-escola, Maria Inês diz que a nova administração terá de fazer um planejamento ano a ano, para dar conta da demanda até 2016. ''A verdade é que vai acontecer o mesmo que aconteceu com o ensino fundamental de nove anos: você vai protelando, protelando, até chegar a um limite, quando precisa implantar.''


