Em Curitiba, o Ministério Público chegou a instaurar, em 2008, um inquérito civil público para verificar a demanda manifesta, ou seja, todos os casos em que os pais procuraram o Conselho Tutelar ou a Promotoria de Justiça em busca de vagas. De agosto de 2009 a dezembro de 2011, foram recebidas 4.972 solicitações para creches e pré-escolas, que segundo o órgão foram devidamente requisitadas à Secretaria Municipal da Educação.
Durante o inquérito, em março de 2009, o então prefeito Beto Richa (PSDB) assinou um compromisso de que criaria, até dezembro de 2011, 9.283 vagas, número que seria suficiente para atender à demanda.
Depois de encerrado o prazo, a administração municipal enviou um ofício, no dia 10 de maio de 2012, explicando que cumpriria a meta, embora com atraso. No documento, o atual prefeito Luciano Ducci (PSB) diz que criou 6.378 vagas até maio de 2012 e que implementaria mais 2.990 no primeiro semestre de 2012, totalizando 9.368.
Procurada pela reportagem, a prefeitura informou, por meio da assessoria de comunicação, que a meta das 9.368 vagas permanece, porém, será novamente esticada, até o fim da gestão de Ducci, em dezembro. Até lá, serão inaugurados mais nove centros municipais de Educação Infantil (CMEIs), que atenderão em média a 150 crianças cada.
Em 2012, ainda segundo a prefeitura, 4.668 meninos e meninas foram matriculados em creches. No ano passado, a capital tinha 180 CMEIs e até o fim deste ano terá 198.
A conselheira tutelar Juliana Guerra, coordenadora de uma comissão de educação formada pelos nove Conselhos da capital, afirma que, neste momento, os CTs e o Ministério Público estão analisando as informações coletadas para avaliar se, de fato, o prefeito cumpriu o que foi estipulado. ''As obras que eles prometeram para 2011 continuaram em 2012 e acredito que só em 2013 (os CMEIs) estarão em funcionamento. Mas é o MP que vai dar essa posição final.''
Ela diz que, dependendo do resultado, o órgão pode encerrar o inquérito ou propor a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), provavelmente já para a próxima gestão. ''Aqui no Pinheirinho, que é a minha regional, por exemplo, ele (Ducci) criou as vagas, mas 501 foram em meio período, em escolas sem espaço físico e estrutura, o que também não resolve o problema. A educação infantil deve ser integral e voltada para a aprendizagem e o desenvolvimento cognitivo'', diz.
A conselheira conta que, hoje, há dez mil crianças em filas de espera, no entanto, estima que a defasagem na capital seja de aproximadamente 23 mil vagas. ''Temos uma demanda manifesta de dez mil, mas há muitas mães que, por falta de informação, acabam não procurando o Conselho. Por isso que esse número tende a ser bem maior. De qualquer forma, nos últimos quatro anos, fizemos esse movimento de pressionar a prefeitura, de fiscalizar todas as obras, e as vagas, aos poucos, estão saindo.''

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