Educação atrás das grades
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sábado, 26 de novembro de 2016
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 

Cadeião. Este é o apelido dado pelos alunos ao pátio coberto do Colégio Estadual Olavo Garcia Ferreira da Silva, no Conjunto Avelino Vieira, na zona oeste de Londrina. Segundo a diretora Edneia Maturana, as grades são para proteger os estudantes do "perigo que vem de fora". Nas janelas, parte dos vidros foi substituída por chapas de aço para evitar a entrada de drogas. "Para trabalhar aqui tem que ter jogo de cintura. Tem que saber levar", analisa Edneia.
No feriado da Proclamação da República, no dia 15, o colégio foi alvo de vandalismo. Quando os funcionários chegaram para trabalhar na manhã seguinte, encontraram armários arrombados, documentos espalhados pelo chão e vários pacotes de mantimentos rasgados. "Infelizmente temos que lidar com situações como essa. A sensação de insegurança é frequente", comenta a diretora. "A criminalidade é uma realidade muito presente na vida desses jovens", completa.
Histórias de alunos que tiveram familiares assassinados não são raros na escola. "Tem casos de alunos que o pai matou a mãe. As professoras ficam com pena, mas aí eu falo: coitado nada, esse é o que tem que estudar mais", relata. Cerca de 400 alunos frequentam a escola nos três turnos. "São jovens fantásticos. Alguns têm problemas, mas nosso trabalho é lutar para que eles sigam o caminho correto. Por eles, eu enfrento tudo", garante a diretora.
Edneia conta que muitos professores têm dificuldade de adaptação. "Não é como uma escola do centro. É outra realidade. Tem criança que tem a merenda como a única refeição do dia", expõe. O grande portão de ferro trancado com um cadeado dá mostras da necessidade do reforço na segurança. "O ideal seria não ter nem muros, mas o contexto em que a escola está inserida não nos permite essa maior abertura", diz.
Para mudar o estigma negativo, Edneia, que assumiu a diretoria do colégio no início do ano, determinou que os portões do pátio interno fossem abertos. "Agora os alunos têm livre acesso às quadras esportivas, à luz do sol. O lado ruim é que alguns pulam o muro e vão embora", lamenta. Mas mesmo com todas as dificuldades, Edneia não esmorece. "É um orgulho tão grande quando encontro nossos ex-alunos trabalhando, com família formada. É a recompensa que mostra que todo o esforço vale a pena", alegra-se. (C.F.)


