"A criação da rede de universidades estaduais foi um movimento de política de governo no Paraná. Foi uma característica do Estado, ao contrário do Rio Grande do Sul, por exemplo, que sempre teve um vínculo grande com o governo federal", afirma Edmilson Lenardão, professor do Departamento de Educação da Universidade Estadual de Londrina (UEL) na área de políticas e gestão educacional.
"A força política do Estado não era grande para reivindicar mais investimentos aqui. Além disso, os municípios, quando reivindicavam unidades de ensino superior, procuravam o governo do Estado, e não o governo federal", explica Lenardão. O professor acredita que a timidez de investimentos da União em ensino superior no Paraná, em comparação com outros Estados, ocasionou problemas na geração de vagas, mas não na qualidade da educação.
"Do ponto de vista do ensino, pesquisa e extensão, as universidades estaduais se mantiveram no nível das melhores federais do País. Mas o Estado, pelas restrições que tem, não consegue ampliar vagas rapidamente. Constitucionalmente, a responsabilidade pelo ensino superior não é dos Estados, é da União", diz Lenardão. O artigo 211 da Constituição Federal estabelece que os municípios devem atuar prioritariamente na educação infantil e no ensino fundamental, e os Estados, no fundamental e médio.
Com o crescimento da proporção de estudantes em instituições federais nos últimos anos, o professor acredita que a tendência é que a União siga investindo mais em ensino superior no Paraná. "Essa alteração é pela política de expansão adotada pelo governo federal e pela maior influência política do Paraná, com a atuação de ministros e deputados", argumenta. "Ainda há muito o que se pensar (em investimentos), como repasses da União para o governo do Estado aplicar na rede de universidades estaduais."

mockup