O Paraná constituiu uma das maiores redes de universidades estaduais do Brasil e historicamente sempre foi desprezado pelo governo federal no quesito investimentos em ensino superior. Nos últimos 10 anos, com o discurso de expansão da educação de nível superior, a União aumentou em todo o País o número de vagas, instituições e campi sob sua tutela. O Paraná foi contemplado nesse processo, com a criação da Universidade Federal da Integração Latino-Americana, em 2010, e do Instituto Federal do Paraná, em 2008, e com a ampliação de vagas, cursos e campi das universidades Federal (UFPR) e Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).
Os números do Censo da Educação Superior, divulgados recentemente pelo Ministério da Educação (MEC), mostram os reflexos dessa política. Em 2002, o Paraná tinha 26,7 mil estudantes em cursos de graduação presenciais de instituições de ensino superior federais. Dez anos depois, o número havia saltado para 48,3 mil alunos.
Embora o crescimento seja expressivo em termos absolutos, uma análise comparativa com o índice nacional e o registrado em outros Estados mostra que o Paraná continua sendo desprezado pela União quando o assunto é ensino superior.
Em 2002, os estudantes de instituições federais representavam 29,56% do total de universitários em cursos superiores públicos presenciais ofertados no Paraná. Era um dos três piores índices do Brasil – apenas São Paulo, com proporção de 5,28%, e Tocantins, que à época não tinha instituições de ensino superior mantidas pela União, estavam em situação pior. O índice nacional era de 50,55%.
No ano passado, os matriculados em escolas superiores federais já representavam 39,92% dos universitários em cursos de graduação presenciais públicos no Paraná. Apesar do crescimento, a proporção paranaense continuava sendo uma das três menores do País. São Paulo apresentava um patamar de 13,58% e Santa Catarina "substituiu" Tocantins, com índice de 23,89%.
Nacionalmente, de cada 100 estudantes de instituições superiores públicas, 57 frequentavam aulas em escolas mantidas pelo governo federal. Em três Estados, Rondônia, Acre e Sergipe, todos os alunos de cursos de graduação presenciais em escolas superiores públicas estudavam em instituições federais. Em outros, o índice se aproximava de 100%, como no Rio Grande do Sul, com patamar de 97,35%.
A FOLHA solicitou ao MEC informações sobre investimentos em ensino superior no Paraná, mas não havia obtido resposta até o fechamento desta reportagem.

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