Foi quase por acaso que a matemática entrou na vida do estudante universitário João Paulo da Silva, de 20 anos, atualmente no terceiro ano do curso de bacharelado em Matemática na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Apesar da afinidade com a disciplina, ele – que sempre estudou em escola pública – não imaginava fazer carreira na área até quando, aos 11 anos, fez uma prova da Olimpíada de Matemática e foi medalhista. "Eu nem sabia que estava concorrendo", conta o rapaz, que morava em Joaquim Távora (Norte Pioneiro) na época.
Após a medalha, passou a fazer o Programa de Iniciação Científica (PIC) da UEL e viajava da cidade de origem até a universidade em uma van que atendia o programa. "Eu não conhecia nada de Londrina", recorda ele, que passou a aprender conteúdos além dos ensinados na escola e a se dedicar com afinco à Olimpíada, o que resultou em quatro medalhas de ouro e duas de bronze até o fim do Ensino Médio. "O PIC ajudou a desenvolver o raciocínio e o pensamento lógico. Passei a resolver exercícios de forma diferente", conta. Na escola pública que frequentava em Joaquim Távora, era referência para os colegas. "Sempre explicava a matéria para os amigos."
Com tanta identificação com os números, ele decidiu cursar a graduação de matemática na UEL. "É um curso muito difícil, muita gente desiste", relata João Paulo, que planeja fazer carreira acadêmica. "Minha área preferida é Análise, uma das mais difíceis, pois consiste em provar os teoremas." Ele está atualmente finalizando o segundo projeto de iniciação científica para universitários e pretende continuar estudando. "Gosto de aprender. Fico ‘lutando’ até desvendar desafios", afirma.

Magistério
O professor Geraldo Magela Zamaia ensina matemática para estudantes de escolas públicas há 16 anos. No Colégio Estadual Hugo Simas, é reconhecido pelos bons resultados obtidos nas edições da Olimpíada de Matemática. Ensinar a disciplina, segundo ele, é um desafio diário. "Quando falo que ensino matemática, os alunos já levam um susto", brinca.
Experiente, tenta mostrar aos estudantes que as pessoas não gostam do que não conhecem. "Tento fazê-los gostar da matéria para então aprender. Como há muita resistência, procuro usar exemplos do dia a dia", diz.
Ciente do apego dos adolescentes às redes sociais, ele cria no Facebook um grupo para cada turma que atende. O espaço é usado para dar recados, resolver dúvidas e falar das aulas. "Quem não se comporta é excluído", conta. No ambiente virtual, incentiva os alunos a assistirem videoaulas e até utiliza sugestões dos estudantes nas aulas presenciais.
Disponível, não se importa em ficar na sala esclarecendo dúvidas durante o intervalo e deixa claro a todos que a sala de aula é o local para expor as dúvidas. "Não precisa ter medo de perguntar. O momento de errar é na aula", diz. Ensinar matemática, para ele, é também uma habilidade de relacionamento pessoal. "Tem que gostar do professor para gostar da matéria", acredita. (C.A.)

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