Economia doméstica já faz parte do cotidiano
A economia doméstica não é segredo pelo menos para uma família de aposentados da reserva indígena São Jerônimo. Exemplo de administração competente, o casal João Maria Rodrigues, 60 anos, e Helena Maria Rodrigues, 56, recebe duas aposentadorias de R$ 188,00 e gasta no conforto e bem-estar da família.
Rodrigues, mais conhecido na reserva por Tapixi, que significa lebre na língua caingangue, conseguiu se aposentar há dois meses. Todo o dinheiro dele e da mulher é revertido em mercadorias que não são produzidas no lote de terra que trabalham. Feijão, mandioca, batata, frutas, milho, café, criação de porcos e galinhas, de tudo há um pouco ao redor da casa de Tapixi. ''O que falta eu compro à vista'', orgulha-se.
Para a família de Tapixi, estar inserida na sociedade capitalista não representa perda dos valores ancestrais. A casa arrumada, com energia elétrica, televisão, geladeira e prateleira com panelas brilhantes de tão limpas é usada para a família durante à noite. A maior parte do dia, Tapixi, Helena e os filhos passam no rancho coberto de sapé, seguindo a tradição indígena.
Tapixi não consegue explicar o que siginifica capitalismo, mas tem uma teoria sobre o que representa o dinheiro. ''A vida era um dom de Deus antes da aposentadoria. Agora, todo o resto ficou perfeito''. A idéia da assistente da Funai, Irma Basso, de que o governo é mantenedor das necessidades básicas dos índios, encontra respaldo na preocupação de Tapixi. ''Se eu mostrar o paiol (cheio de mantimentos produzidos pela família), será que não vou perder a aposentadoria?'' (M.B.)





