''É um desrespeito aos idosos''
Aos 71 anos, a pensionista Sueli (nome fictício), de Cambé, sofre para conseguir quitar a dívida contraída por meio de empréstimo consignado. Em 2010, ela emprestou R$ 4,6 mil para pagamento em 60 meses (prestações de R$ 153). Já pagou 28 prestações e ainda faltam 32, mas decidiu quitar antes do prazo. O que a pensionista não esperava, segundo relatou à FOLHA, é que encontraria tanta burocracia para isto.
Ela conta que ligou para a financiadora que viabilizou o empréstimo, em Londrina, e foi informada que deveria recorrer ao 0800 do banco responsável pela operação. Lá (no banco), para conseguir a liberação do seu saldo devedor e receber a carta de quitação em casa, foi orientada a fazer a solicitação seguindo os seguintes passos: escrever uma carta de próprio punho, com reconhecimento de firma por autenticidade, em cartório, e enviar para São Paulo.
''Achei um absurdo toda essa exigência, já que na hora de fazer o empréstimo foi uma facilidade incrível e, inclusive, não assinei nenhum contrato e não me deram nenhum papel'', diz a pensionista.
A reportagem da FOLHA acompanhou Sueli em uma visita à loja da financiadora, que fica no centro de Londrina, para tentar, desta vez pessoalmente, a liberação da carta de quitação. Fomos atendidas pelo gerente, que repetiu as mesmas orientações do 0800. E foi além: ''Se a senhora tivesse 75 anos, até poderíamos fazer isso por e-mail, porque entendemos que nesta idade a pessoa já está um pouco cansada, mas com 71 não dá, tem que escrever a carta, reconhecer firma por autenticidade, mandar e aguardar'', disse.
''E se eu não concordar com o valor que vir no boleto, já que não sei quanto de desconto vão me dar e também não estou tendo a oportunidade de negociar?'', questionou a pensionista. Com muita insistência, ela conseguiu fazer com que o gerente, enfim, revelasse o seu saldo devedor (R$ 3,6 mil), porém, sem chance de negociação e ainda sem liberação da carta. Sueli, então, saiu de lá disposta a levar a queixa para o Procon. ''Empréstimo consignado, nunca mais. É um desrespeito aos idosos'', desabafou (Gisele Mendonça/Reportagem Local)





