É preciso ligar o 'botão da saciedade'
A nutricionista Valéria Mortara, de Londrina, convive diariamente com pessoas que a procuram para perder peso. Contrariando a expectativa dos pacientes, porém, ela costuma propor a mudança de hábitos inadequados por rotinas mais saudáveis, o que pode provocar a perda de peso mais consistente e que se mantém a longo prazo. "Não existe dieta que emagreça definitivamente", enfatiza ela, que não costuma passar os tradicionais cardápios para obter emagrecimento a curto prazo. "Só faço isso quando a pessoa me procura com um objetivo específico, como por exemplo entrar no vestido de noiva", brinca.
Valéria destaca que as dietas até funcionam a curto prazo, mas quando há restrição, as pessoas voltam a engordar, a menos que estejam dispostas a "passar fome para o resto da vida". O mesmo vale para a mania atual de culpar alimentos saudáveis pelo excesso de peso, como é o caso do glúten e do leite. "Só é possível restringir o que se aceita deixar de consumir para sempre, o que é válido para 'não alimentos' como refrigerantes ou salgadinhos industrializados, e apenas se for uma escolha pessoal. Mas é possível ser saudável comendo de tudo", afirma.
Para ela, o maior problema não é o que se come, mas o que se deixa de comer. "A população brasileira só vai ser saudável quando comer mais vegetais incluindo frutas, legumes e folhas e tomar mais água", defende. Por isso, dá uma recomendação simples aos pacientes: comer vegetais ou frutas em todas as refeições do café da manhã ao jantar , preencher metade do prato com salada não importando muito se o restante da refeição é bife à milanesa com batata frita e entre as refeições consumir apenas água. "Não adianta comer sem glúten quando não se come salada", reforça Valéria, para quem está faltando também ligar o "botão de saciedade" durante as refeições.
"Vejo que as pessoas comem muito, mesmo sem fome, enquanto estão no computador ou em frente à TV. Nem sempre elas param de comer quando estão satisfeitas", considera ela, destacando que os brasileiros são ensinados desde pequenos a não ouvir os anseios do próprio corpo. "Muitas vezes a criança pequena está brincando tranquila e a mãe vai lá e coloca uma bolacha de maisena na mãozinha sem nem saber se ela estava com fome. O ideal é a criança pedir para comer", critica.
A nutricionista cita as dicas do Guia Alimentar Brasileiro como ideais para estabelecer uma boa rotina de alimentação, o que inclui preferir "comida de verdade", comer em companhia e preparar as próprias refeições. "A vida do brasileiro é muito corrida, o que acaba facilitando a escolha de produtos ultraprocessados que não são bons para a saúde. É preciso dar à alimentação a importância que ela deve ter para garantir a boa saúde", diz. (C.A.)





